Mostrando postagens com marcador Behaviorismo Radical. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Behaviorismo Radical. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Resenha crítica de The Behavior Of Organisms

Eu tive mais uma resenha crítica publicada no site (EN)Cena. Dessa vez, referente ao primeiro livro do Skinner, The Behavior Of Organisms, de 1938.
Quem quiser ler a resenha, é só acessar este link.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Alguns Mecanismos de Defesa freudianos sob olhar do Behaviorismo Radical de Skinner: Resumo Expandido

Algumas pessoas se mostraram interessadas no trabalho que apresentei no Encontro Sul-Brasileiro de Análise do Comportamento. Como não posso postar o artigo na íntegra antes de ser publicado, lhes darei o resumo expandido nesse post. Espero que gostem. Quaisquer perguntas, sintam-se livres para fazer. Segue abaixo:

Resumo
Introdução: Os mecanismos de defesa foram elaborados na teoria psicanalítica de S. Freud e designam diferentes operações mentais que têm como principal função proteger o indivíduo daquilo que lhe possa causar algum sofrimento psíquico. Segundo teóricos psicanalíticos, todos esses mecanismos se processam pelo ego, sendo, em sua maioria, inconscientes. Já o ego é considerado parte de uma estrutura mental, na qual ainda existem outras duas estruturas chamadas id e superego, que compõem a tríade mental que determina como se dá a personalidade do indivíduo. Essa tríade surge da necessidade do organismo de fazer transações entre o mundo interno e o mundo objetivo externo. Entretanto, todos esses conceitos partem (e fazem parte) de explicações mentalistas para o comportamento. Explicações essas que, para os behavioristas radicais, são no mínimo insuficientes e insatisfatórias, uma vez que o comportamentalismo entende que a maneira pela qual um organismo se comporta depende muito mais de variáveis ambientais das quais o comportamento é função do que de uma possível mente de natureza imaterial. Visto isto, esta pesquisa teve como objetivo principal entender como o Behaviorismo Radical poderia contemplar alguns mecanismos de defesa freudianos pautando-se não em uma estrutura mental para explicar estes fenômenos, mas na sua relação com o controle aversivo, com princípios do reforçamento negativo, dos comportamentos de fuga e esquiva e também da punição.
Método: Este projeto foi realizado com base em livros e artigos científicos nacionais e internacionais, em textos do próprio Skinner e do Freud, bem como seus comentadores contemporâneos que expõem conceitos de mecanismos de defesa, na visão de ambos os autores; de controle aversivo, fuga e esquiva e outros conceitos que possam explicar alguns mecanismos de defesa. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, a fim de contemplar a relação entre estes conceitos e entender qual é a visão do Behaviorismo Radical sobre os mecanismos de defesa ditos inconscientes pela teoria psicanalítica de Freud.
Resultados: Os mecanismos de defesa, para psicanálise, servem basicamente para defender o ego daquilo que ele não está preparado para enfrentar. Talvez tais mecanismos possam ser descritos em comportamentos de fuga e esquiva que um indivíduo apresenta quando está sob controle aversivo. Visto isso, esta pesquisa contemplou a análise dos seguintes mecanismos: repressão, negação, projeção, sublimação, formação reativa e identificação. Sob a visão psicanalítica, a repressão seria considerada um mecanismo que mantém fora da consciência impulsos, ideias e sentimentos que são inaceitáveis por provocarem ansiedade. A negação seria o bloqueio de algumas percepções do mundo externo ou a negação da própria existência para se proteger. O mecanismo de projeção poderia ser descrito como um processo da mente pelo qual características do próprio indivíduo não são aceitas conscientemente, e assim, atribuídas ao meio. Já a formação reativa seria a adoção de um comportamento oposto à tendência reativa que o sujeito tenta esconder. A sublimação seria explicada como desejos inaceitáveis que são expressos de forma socialmente aceita; e na identificação, a pessoa assumiria características de outra e as adequariam à sua própria personalidade. As explicações behavioristas apresentadas para se entender os mecanismos de defesa mostra que esses fenômenos estão potencialmente relacionados com o reforçamento negativo, que, por conseguinte, associam-se a comportamentos de fuga e esquiva que o indivíduo pode apresentar, num primeiro momento. Assim, a repressão pode ser explicada como um comportamento de esquiva em relação às contingências aversivas semelhantes às que causaram um dado trauma ou a falta de sensibilidade a essas contingências. A negação seria basicamente a fuga de situações potencialmente aversivas, que causariam demasiado sofrimento. A projeção teria uma relação com a supressão do comportamento punido ou com o comportamento que fosse ao menos passível de punição. A formação reativa poderia ser explicada por meio da emissão de um comportamento incompatível com o punido. A sublimação, por sua vez, poderia ser explicada como um comportamento que é emitido de modo a receber reforçamento positivo. E, por fim, a identificação poderia ser explanada recorrendo-se ao princípio do comportamento imitativo.

Discussão: Concluiu-se que os mecanismos de defesa estão relacionados com fuga e esquiva, podendo ser mantidos pelo reforçamento negativo além de poderem estar relacionados com a busca pelo reforçamento positivo e com comportamento imitativo. Freud contribuiu para o conhecimento humano, mas as variáveis ambientais tiveram papel secundário em sua teoria. Por fim, concluiu-se que as explicações mentalistas não ficam num domínio comportamental para explicar atos humanos, mas partem deles para inferir causas internas ao comportamento.

Referências
Adams, H. E.; Wright Jr., W. L.; Lohr, A. B. (1996) Is Homophobia Associated With Homosexual Arousal? Journal of Abnormal Psychology, Vol. 105, n. 3, pp. 440-445.
Braghirolli, E. M.; Bisi, G. P.; Rizzon, L. A.; Nicoletto, U. (2010) Psicologia Geral. 29 ed. Petrópolis: Editora Vozes.
Brenner, C. (1987) Noções Básicas de Psicanálise. São Paulo: Imago.
Cabral, A.; Nick, E. (2000) Dicionário Técnico de Psicologia. São Paulo: Cultrix.
Freud, S. (2006) Cinco Lições de Psicanálise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos (1910). Rio de Janeiro: Imago.
Freud, A. (2006) O ego e os mecanismos de defesa. Porto Alegre: Artmed.
D’Andrea, F. F. (2001) Desenvolvimento da personalidade: enfoque psicodinâmico. 15ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
Guilhardi, H. J. Um modelo comportamental de análise de sonhos. In Rangé, B. (1998) Psicoterapia comportamental e cognitiva de transtornos psiquiátricos. Ed. Psy II.
Hall, C. S.; Lindzey, G; Campbell, J. B. (2000) Teorias da Personalidade. Porto Alegre: Artmed.
Kohlenberg, R. J.; Tsai, M. (2006) FAP – Psicoterapia Analítica Funcional: Criando Relações Terapêuticas Intensas e Curativas. Santo André: ESETec.
Moreira, M. B.; Medeiros, C. A. (2007) Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre: Artmed.
Roudinesco, E.; Plon, M. (1998) Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.
Schultz, D. P.; Schultz, S. E. (2011) História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cengage Learning.
Sidman, M. (1995) Coerção e suas implicações. Campinas: Psy II.
Skinner, B. F. (1938/1991) The Behavior of Organisms. Cambridge: B. F. Skinner Foundation.
Skinner, B. F. (1956) Critique of Psychoanalytic Concepts and Theories. In H. Feingl; M. Scriven (Eds.) The Foudations of Science and the Concepts of Psychology and Psychoanalysis (Minnesota Studies of the Philosophy of Science, Vol. 1, pp. 77-87). Minneapolis (MN): University of Minnesota Press.
Skinner, B. F. (1965) Science and Human Behavior. New York: The Free Press.
Skinner, B. F. (1969) Contingencies of Reinforcement – A Theoretical Analysis. New York: Appleton-Century-Crofts.
Skinner, B. F. (2006) Sobre o Behaviorismo. 10 ed. São Paulo: Cultrix.
Skinner, B. F. (1978) O Comportamento Verbal. São Paulo: Cultrix.
Teixeira Júnior, R. R.; Souza, M. A. O. (2006) Vocabulário de Análise do Comportamento – Um manual de consulta para termos usados na área. Santo André: ESETec.
Zimerman, D. E. (1999) Fundamentos Psicanalíticos: teoria, técnica e clínica. Porto Alegre: Artmed.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Conferência de B. F. Skinner para Psiquiatras e Psicólogos

Há algumas semanas, disponibilizaram no YouTube uma conferência que o Skinner fez para psiquiatras e psicólogos nos Estados Unidos legendando em português. No entanto, eu não consegui descobrir nada sobre o local ou a data onde essa conferência ocorreu (inclusive, se alguém souber essas informações eu agradeceria muito se pudesse me passar).

Abaixo estão os vídeos da conferência (que está dividida em seis partes), contudo, a legenda não é embutida. Você precisará ativá-la. É muito fácil: no canto inferior direito do vídeo estarão alguns símbolos, você precisará clicar no segundo da esquerda para a direita e pronto! Legenda ativada! Divirtam-se:









quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Comportamento Verbal

Muitos estudantes de Psicologia, sobretudo aqueles que se interessam pela Análise do Comportamento, podem se deparar com uma das áreas que eu acho mais fascinantes e também mais complexas do Behaviorismo Radical: o comportamento verbal.
Justamente por ser uma área que eu considero complexa e que muitos acadêmicos não têm acesso tão fácil, até mesmo nas aulas de teorias comportamentais durante a graduação, resolvi escrever um artigo científico (que já está em fase de revisão e correção) que tem como objetivo introduzir o assunto aos estudantes de Psicologia e behavioristas iniciantes de uma maneira mais simples ou, no mínimo, menos complexa. E a presente postagem trata-se justamente disso: assim como o artigo, falar sobre o comportamento verbal de uma maneira "fácil".

A primeira coisa que devemos saber sobre o comportamento verbal é que ele é um comportamento como qualquer outro comportamento operante, isto é, modifica o meio e é modificado por ele, no entanto, existe uma singularidade: ele é mediado socialmente. E isso quer dizer que é necessário um ouvinte para que o comportamento verbal seja produzido. Mesmo que o ouvinte seja o próprio falante.
Sendo assim, Ernst Vargas, psicólogo americano da B. F. Skinner Foundation , num artigo de 2007, propõe não uma contingência de três termos, mas uma contingência de quatro termos para entendermos melhor o comportamento verbal. Segundo ele, seria assim:

Estímulos Antecedentes (Sd) > Ações Verbais > Ações Mediadoras > Estímulos Consequência (Sc)

Onde Sds seriam os estímulos específicos que servem de ocasião para a emissão de uma resposta, as Ações Verbais equivaleriam-se à Resposta (comportamento) na contingência de três termos, por especificarem a emissão do comportamento verbal propriamente dito. Já as Ações Mediadoras indicariam a mediação social do comportamento verbal, ou seja, as ações que o ouvinte tem para a emissão do comportamento verbal do falante e, finalmente, os Scs seriam as consequências que o comportamento verbal produz no meio, assim como na usual contingência de três termos.
Dessa maneira, conseguimos perceber a importância do ouvinte na emissão do comportamento verbal por parte de um falante. E essa importância é tão grande que Skinner (1989) define vários papéis que o ouvinte pode ter, sendo no mínimo seis: 1) o ouvinte é informado; 2) o ouvinte é ensinado; 3) o ouvinte é aconselhado; 4) o ouvinte é orientado por regras e governado por leis (também pelas leis da ciência); 5) o ouvinte também é um leitor; e 6) o ouvinte também tem a capacidade de concordar. A explicação pormenorizada de cada um desses papéis não será feita aqui, uma vez que é somente uma postagem. Todavia, o ouvinte tem outro papel crucial: ele mesmo serve de estimulação discriminativa para a ocasião do comportamento verbal, uma vez que é a comunidade verbal que instala, reforça e mantém esse comportamento no repertório de um indivíduo.

Já que entendemos que o próprio ouvinte serve como estimulação discriminativa para a emissão do comportamento verbal, podemos falar do que Skinner (1978) define como operantes verbais e unidades de análise do comportamento verbal, que seriam: auditório, mando, comportamento ecoico, comportamento textual, comportamento intraverbal e tato; e também de um outro comportamento muito importante na análise do comportamento verbal: o comportamento autoclítico.

AUDITÓRIO

O auditório é um estímulo discriminativo na qual o comportamento verbal emitido em sua presença é caracteristicamente reforçado e caracteristicamente forte. Além disso, é o auditório que estabelece as contingências nas quais línguas, como inglês, português, japonês, etc. são reforçadas. Em uma comunidade verbal, com uma só língua, muitos jargões, gírias e linguagens específicas, como as linguagens técnica e científica, são reforçadas por auditórios específicos. Em nossa comunidade verbal, gírias como "mano" e "treta" são reforçadas por um grupo específico. Assim como as palavras "reforçamento operante" e "operantes verbais" são reforçadas por outro grupo específico.
Outra característica do auditório é que ele tem a dimensão de ser negativo, ou seja, de reforçar negativamente e até mesmo punir e extinguir o comportamento verbal ou parte do comportamento verbal de um falante. Por exemplo, um aluno que vai apresentar um seminário na faculdade e usa uma linguagem muito coloquial pode ser reforçado negativamente pelo auditório (os membros de sua sala e o professor) e quando esse aluno fala de modo mais científico, é reforçado positivamente pelo mesmo auditório. Também existe o que se chama de auto-auditório, que é quando o falante e o ouvinte são a mesma pessoa. No auto-auditório, o falante é afetado pelas consequências do seu próprio comportamento verbal, em palavras mais simples, ele se autorreforça, digamos assim.

MANDO
 
O mando é um operante verbal que tem como característica principal especificar a consequência que quer se obter, digamos assim. Ele deriva de comando, é mais facilmente identificável quando ocorre no tempo verbal imperativo e geralmente depende do estado de privação que o falante se encontra. Um exemplo de mando é quando dizemos "me ligue?", "saia daí!", "licença, por favor?", etc. No entanto, não existe somente um tipo de mando. Existem também o mando prolongado, o mando supersticioso e o mando mágico.
O primeiro, o mando prolongado é exemplificado quando mandamos consequências numa comunidade que não pode reforçar-nos caracteristicamente. Quando mandamos em crianças muito pequenas, animais não-treinados ou quando as próprias crianças mandam no comportamento de brinquedos, são exemplos de mandos prolongados.
Já o mando supersticioso se caracterizaria por um reforço acidental da resposta, assim como um comportamento não-verbal é reforçado acidentalmente quando um índio está rodando em volta de uma fogueira e de repente começa a chover numa época de seca, mesmo que este comportamento não tenha sido reforçado anteriormente. Um exemplo é quando alguém, num jogo de baralho, manda "venha ás de espadas, venha ás de espadas" e o faz mesmo que a carta nunca tenha sido apresentada em ocasião semelhante posterior.
O mando mágico, quando lemos o nome, podemos até achar que tem a mesma definição que o mando supersticioso, no entanto, existe a diferença de ele ter uma baixíssima probabilidade de ser reforçado em quaqluer circunstância.

COMPORTAMENTO ECOICO

O comportamento verbal ecoico (ou de repetição) tem a característica de estar totalmente sob controle de um estímulo verbal audível anterior e a resposta ecoica tem correspondência ponto a ponto com esse estímulo. Um exemplo muito claro que se tem é quando uma professora que está ensinando inglês manda aos alunos: "repitam depois de mim: YELLOW." e os alunos, sob controle total do estímulo vocal da professora, ecoam: YELLOW. Apesar de a definição de comportamento ecoico parecer extremamente simples, deve-se tomar cuidado porque quando um aluno, fazendo uma lição, ecoa o "certo" uma vez verbalizado pela professora, este pode ser simplesmente um reforçador condicionado e não um comportamento ecoico puro. Além disso, existe o que se chama de comportamento auto-ecoico, que é basicamente quando o falante ecoa o próprio comportamento, ponto a ponto. 

COMPORTAMENTO TEXTUAL

 O comportamento verbal textual, assim como o operante verbal ecoico, está inteiramente sob controle de um estímulo verbal anterior, só que neste caso, ao invés de ser um estímulo audível, é um estímulo visual (ou no caso do Braille, tátil). Um texto é comportamento verbal congelado, os estímulos podem ser letras, hieróglifos, símbolos, figuras, etc. Um exemplo é o seu comportamento agora, leitor. Você está sob controle dessas variáveis mínimas que chamamos de letras, ponto a ponto. Se escrevemos "ÁGUA" sua resposta, muito provavelmente, como no caso dos operantes ecoicos, será "ÁGUA", mesmo que subvocalmente. Também há o que se chama de auto-comportamento textual, que é quando um sujeito está sob controle do que ele mesmo escreveu, como quando escrevemos lembretes nas costas da mão ou quando um político escreve um discurso e o lê na cerimônia em que vai tomar posse.

COMPORTAMENTO INTRAVERBAL

O comportamento intraverbal, assim como o comportamento ecoico e textual, também está sob controle total de um estímulo verbal anterior, seja ele audível ou visual, mas a diferença está na resposta. Esta não será correspondente ponto a ponto com o estímulo anterior. Um exemplo de intraverbalização é quando resolvemos uma conta matemática. Estamos sob controle do estímulo verbal antecedente "3 + 5", só que, diferentemente dos comportamentos ecoico e textual onde responderíamos exatamente "3 + 5", no comportamento intraverbal, responderemos "8". Outro exemplo é quando traduzimos uma palavra, frase ou texto de uma língua diferente para nossa língua natal. Estamos sob controle do estímulo "THE GIRL IS BLONDE". No caso do comportamento ecoico e/ou textual responderíamos estando correspondentes ponto a ponto com esse estímulo: "THE GIRL IS BLONDE" e no comportamento intraverbal respondemos "A GAROTA É LOIRA". Nesses dois exemplos percebemos claramente que estamos sob controle de um estímulo verbal anterior, mas que não respondemos correspondendo variável por variável ou ponto por ponto. O comportamento intraverbal também está relacionado com comportamentos de lembrar e memória. Quando tentamos lembrar de algo geralmente estamos sob controle de um estímulo verbal anterior, por exemplo, uma pergunta: "ONDE VOCÊ DEIXOU AS CHAVES DO CARRO?" e respondemos com uma verbalização diferente do estímulo anterior: "AH! DEIXEI SOBRE O CRIADO-MUDO, NO QUARTO".

TATO

O tato é um comportamento verbal que também está sob controle de um estímulo anterior, como todos os outros, no entanto, esse estímulo é não-verbal. Ardila (2007) afirma que o tato é o operante verbal que basicamente serve para dar nome a estímulos discriminativos. Skinner (1978) nos diz que o tato é o comportamento verbal mais importante que existe, justamente pela conspicuidade do controle exercido pelo estímulo antecedente e pela clareza com que vemos como a comunidade verbal reforça o comportamento de um falante. O exemplo de um tato é a criança dizer "PANELA" na presença de uma panela e ser reforçada contingentemente pela comunidade verbal que a cerca.
Ainda há o que chamamos de tato ampliado. Esse operante surge quando estímulos novos que se assemelham a estímulos anteriores previamente presentes e ainda assim servem de ocasião para que o falante emita o tato. Por exemplo, um mesmo falante emite o tato "CADEIRA" na presença da cadeira de madeira de sua casa e pode emitir o mesmo tato na presença da cadeira estofada de tecido do professor, na escola. Esse tipo de tato tem várias extensões: metafórica, metonímica, de solecismo, entre outros.
Também há a definição do que chamamos de tato abstrato. Ele ocorre quando qualquer propriedade do estímulo antecedente, em que uma resposta foi contingencialmente reforçada, exerce um grau de controle sobre o falante mesmo que em outras combinações. Um exemplo é quando uma criança emite o verbal "MAÇÃ" na presença da característica fruta vermelha e emite o mesmo verbal na presença de uma maçã verde. Aqui damos a importância à propriedade do estímulo maçã que adquiriu controle sobre a criança, talvez o tamanho ou o formato.
O tato até certo ponto se assemelha ao comportamento intraverbal, pela falta de correspondência ponto por ponto com o estímulo antecedente. No entanto, as contingências de reforçamento no tato são mais consistentes que no comportamneto intraverbal, uma vez que é a comunidade verbal que reforça o tato do falante, por interesse próprio.

 AUTOCLÍTICO

O comportamento autoclítico é caracterizado por ser um comportamento verbal que depende de ou se fundamenta em outro comportamento verbal e se baseia no papel do ouvinte, pois, o autoclítico serve para preparar o ouvinte para o comportamento verbal que o acompanha. Ele também tem a capacidade de especificar a probabilidade de ocorrência de uma resposta e de identificar o efeito que determinada resposta teve sobre o falante em determinadas contingências. São exemplos de autoclíticos: "não acredito que...", "preciso dizer que...", "gostei de saber que...". No entanto, não existem só um tipo de autoclítico. Existem autoclíticos descritivos, que servem para o falante descrever o próprio comportamento, existem os autoclíticos negativos que negam ou cancelam o comportamento verbal seguido deles e também há os autoclíticos qualificados que são exemplificados pelos autoclíticos de negação ("não...") e de asserção ("sim..") e os autoclíticos quantificadores que podem ser exemplificados por verbalizações como "todos..." e "nenhum...".


Esses operantes verbais servem como classificação para o comportamento verbal. E este é formado como qualquer outro comportamento operante, mas como foi dito, com a mediação especial do ouvinte. Acho que é plausível dizer que o primeiro comportamento verbal a "nascer" no repertório do sujeito é o ecoico, com os próprios pais mandando "diga PAPAI" e a criança aprendendo a dizer devagar e sendo reforçada conforme vai chegando mais próximo de responder ponto a ponto o verbal "PAPAI". Primeiro ela pode dizer "PÁ" e ser reforçada com um reforçador condicionado como o "PARABÉNS!" pela comunidade verbal. Posteriormente, a comunidade diminui a intensidade do reforço ou então não reforça mais essa verbalização da criança e espera que ela emita "PAPÁ" e a reforça de acordo. Em momentos futuros, o mesmo se repete: a comunidade para de reforçar essa verbalização e espera que ela emita o "PAPAI" propriamente dito. O mesmo acontece com o comportamento textual, quando a criança aprende a ler e a escrever. Qualquer comportamento verbal que se aproxime da resposta ideal é reforçado diferencialmente até que o sujeito emita o comportamento textual desejado pela comunidade. Vê-se que o reforço nesses dois tipos de comportamento são reforços educacionais, digamos assim, providos, obviamente, pela comunidade verbal.
O mando, parece ser o mais fácil de entender como é instalado. Ele começa como um ecoico e depois que o sujeito recebe o reforçador natural do mando, ele se mantém, afinal, o mando especifica o reforço e uma vez que este é conseguido, o mando se mantém forte no repertório comportamental de quem o emite. Os comportamentos intraverbal, o tato e o autoclítico já nos fornece uma evidência maior do papel que a comunidade verbal exerce sobre o falante, afinal de contas, ela é quem vai reforçar esses comportamentos no sujeito. O tato é reforçado conforme os interesses da sociedade. O comportamento intraverbal também depende da aprovação, por parte da comunidade verbal, da resposta verbal assertiva em relação ao estímulo anterior da qual a intraverbalização é função. O autoclítico, por se basear no próprio ouvinte, é naturalmente reforçado por ele.

Creio que essa postagem possa servir para que se tenha uma noção maior de como é classificado o comportamento verbal e suas características principais. É óbvio que foi dito tudo muito superficialmente, afinal, como eu disse no começo do texto, essa área é uma das mais complexas de se estudar na minha opinião. Porém, é uma área fascinante e, por isso, apaixonante. O próprio Skinner considera seu livro, o Verbal Behavior (O Comportamento Verbal), o mais importante de sua carreira. E não é para menos. Acho que todos que se interessem por essa área de estudo deveriam ler esse livro como o "pontapé" inicial. Obviamente, que depois de ter lido o Ciência e Comportamento Humano, também do Skinner, como ele mesmo indica.


Referências


ARDILA, R. – Verbal Behavior de B. F. Skinner: sua importância no estudo do comportamento. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, Belo Horizonte, v. IX, n. 2, p. 195-197, 2007.

SKINNER, B. F. O Comportamento Verbal. São Paulo: Cultrix, 1978.

SKINNER, B. F. Questões Recentes na Análise Comportamental. 5 ed. Campinas: Papirus Editora, 1989.
VARGAS, E. A. – O Comportamento Verbal de B. F. Skinner: uma introdução. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, Belo Horizonte, v. IX, n. 2, p. 153 – 174.
 













quarta-feira, 7 de março de 2012

Introdução ao Blog

Eu me chamo Renan Miguel, sou paranaense, estudo Psicologia no Centro Universitário de Maringá (Cesumar) e estou no terceiro ano do curso. A Psicologia, ao contrário do que muitos pensam, não é uma linha de pensamento unificada. Ela propõe várias abordagens teóricas para compreender o mundo e os sujeitos que o habitam enquanto seres humanos. Dentre todas estas abordagens, as quais não são poucas, me identifiquei com o Behaviorismo Radical, proposto por B. F. Skinner, sobre o qual falarei mais tarde, em outra postagem. Óbvio que também falarei das outras abordagens e seus respectivos teóricos: Psicanálise, Psicologia Analítica, Gestalt, Sócio-Histórica, Sistêmica, Cognitivo-Comportamental e outras que me forem pertinentes falar sobre. 
Também pretendo discutir temas atuais que possam, de alguma forma, serem passíveis de uma análise comportamental, abordando conceitos básicos, fundamentações teórico-filosóficas e críticas, obviamente embasados no Código de Ética proposto pelo Conselho Federal de Psicologia.
Discorrerei em alguns momentos sobre temas básicos e também polêmicos, que motivam controvérsias entre teóricos, e alguns tabus encontrados na Psicologia: comportamento, subjetividade, mente, alma, sonho, espiritualidade, sexualidade, consciência, entre outros, porém, sempre embasado na visão behaviorista radical; mas algo já vou lhe adiantar: não se engane quando te disserem que a psicologia é a ciência que estuda a mente ou a ciência que estuda a alma.Tais conceitos - mente e alma - não são compatíveis com um estudo científico, mesmo que nas origens da palavra "psicologia" você encontre que psiqué e logia, do grego, respectivamente signifiquem alma e estudo. 
O que muitos teóricos e o que eu também considero é que a Psicologia estuda o comportamento humano, o qual será tema central deste blog. 
Ao tempo que eu for fazendo postagens, você leitor, entenderá melhor minha posição e ponto de vista acerca do mundo e do homem e também das abordagens que propõem o estudo de tais elementos.
Espero que gostem!