Eu tive mais uma resenha crítica publicada no site (EN)Cena. Dessa vez, referente ao primeiro livro do Skinner, The Behavior Of Organisms, de 1938.
Quem quiser ler a resenha, é só acessar este link.
"Possivelmente, a realização mais nobre da qual o homem pode aspirar (...) é aceitar ele mesmo pelo que ele é." ~ B. F. Skinner, 1959. [Este é um blog que, de maneira "informal", falará sobre assuntos cotidianos - ou nem tanto - na visão de um behaviorista radical. Espero que seja positivamente reforçador para os leitores!]
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
Citação de Skinner
"Eu tenho, acredito, feito bom uso de minhas análises do comportamento em conduzir minha própria vida, particularmente no meu próprio comportamento verbal. Podem os psicanalistas e os psicólogos cognitivistas e humanistas dizer o mesmo? Alguma vez Freud noticiou o uso de sua teoria para influenciar seu próprio pensamento?"
(Skinner, 1967)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
"Skinner, democracia e anarquismo": reflexões sobre Walden II e a visão skinneriana de governo
No último sábado (6), fui no I Seminário de Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que teve como coordenadora a Dra. Carolina Laurenti.
Entre as palestras que foram ministradas, gostaria de dar um resumo da apresentação do professor Dr. José A. D. Abib. Um ser humano incrível, diga-se de passagem. Sua palestra tinha o título: "Skinner, democracia e anarquia". Aqui serão feitas referências à palestra e também colocarei opiniões próprias.
O texto base, é obviamente o capítulo 1 do livro do Skinner "Reflections on Behaviorism and Society" e Abib também indica a leitura do livro "A Política" de Aristóteles.
O professor começa a palestra falando sobre os tipos de governo que existem e começa a fazer inferências sobre qual estilo governamental seria a utopia de Skinner, o Walden II, uma vez que lá, a priori, não possui um governo propriamente dito. Abib faz reflexões e chega à conclusão de que Walden II possa ser uma aristocracia. Entretanto, Skinner se define como uma anarquista benigno, logo, ele talvez possa se mostrar contra a democracia.
No entanto, o que Skinner entende por governo, se ele é contra o controle aversivo e também contra o contracontrole. Na verdade, Skinner é totalmente contra a violência.
Entretanto, Skinner reconhece um fator importante da democracia: ela tenta amenizar o controle aversivo através do uso da diplomacia, por exemplo. Afinal, muitas questões, se não fossem resolvidas diplomaticamente, já teríamos a 3ª Guerra Mundial ou talvez a 4ª e a 5ª. Ele reconhece o valor que a democracia tem para valorizar a vida dos seres e também e a busca pelo reforçamento positivo que isso causa.
Segundo Skinner, todo regime de governo deveria ter ao menos dois pontos principais: a liberdade e a felicidade. A principal crítica de Skinner, se dirige à democraria representativa, onde os representantes usam a ocupação do poder, ou seja, o controle se concentra naqueles que "foram escolhidos" pelo povo. E é aí que Skinner diz que jamais devemos delegar soberania aos outros. Podemos concluir, então, que Skinner é contra eleições e contra a concentração do poder.
Abib diz que a democracia representativa exisitria no bem-estar social. Além disso, esse bem-estar social libera consequências positivas que NÃO SÃO contingentes às situações. Essa democracia social (que não está livre da democracia representativa) apresenta consequências positivas para quem não precisa, por exemplo, ricos não pagam impostos altos, de modo que os bens são distribuídos a evitar o contracontrole e a tributação pesada cai justamente sobre aqueles que não têm condições.
No texto (o capítulo 1 do livro "Reflections on Behaviorism and Society"), Skinner trabalha com dois conceitos de cultura: o primeiro é a "cultura antiga", a segunda é a "cultura atual". Na primeira, o ambiente é dividido entre Estado (poderes legislativo, judiciário, etc.), Economia e Cultura (artes, religião, educação. Isso vem dos pensadores romanos, "cultivar" -que é cultura em sua origem taxonômica- como educação, sofisticação, etc.)
Já o sentido atual de cultura diz que tudo é cultura. Após essa distinção, Skinner diz que a democracia é cultura. Nos dois sentidos. Sendo que no antigo é num nível micro (exclui o Estado e a sociedade é restrita) e a atual é num nível macro (envolveria o Estado, a sociedade, a Cultura no sentido antigo).
Skinner prefere a democracia antiga simplesmente pelas contingências serem menos instituicionalizadas, ou seja, são menos arbitrárias e, por conseguinte, mais naturais. Entretanto, ele aceita e reconhece a importância das indústrias e do Estado numa socieade. Desse modo, ele critica o Estado, as instituições, as regrças e o reforçamento planejado... defende o reforçamento natural.
Então, o que Skinner quer? Controle face a face. Controle NÃO é governo. Governo exerce o poder em favor da oligarquia. O controle defende o POVO. A palavra controle demanda elite, mas não exploradora, e sim, em favor das pessoas. O controle é feito POR pessoas PARA pessoas.
Skinner não é inimigo da liberdade nem da democracia. O que ele prefere é uma democracia anarquista. Nas palavras de Abib: "O anarquismo é o ódio ao poder à humanidade".
Sendo assim, Walden II é anarquista? Se o anarquismo é uma democracia, então sim. Mas parece que há uma aristocracia. Frasier (um dos personagens principais da novela utópica) é tecnólogo do comportamento, cientista. E é um dos líderes de Walden II (aristocracia demanda líderes que são capacitados para exercer tal cargo). Walden II é um autoritarismo? Há um aspecto autoritário, onde as pessoas não podem discutir problemas relacionados a Walden entre si. Que é o que faria Abib não morar em Walden, segundo ele.
Por fim, Abib conclui: Walden II é misto. É anarquia, é democracia e uma aristocracia técno-científica e a população não pode discutir o código de conduta de Walden entre si, o que é o aspecto autoritário.
Quando eu terminei de ler o livro Walden II eu disse: não conseguiria morar lá, mas não consegui discriminar muito bem o motivo. Creio que Abib tenha me ajudado um pouco.
O livro que contém o texto base é esse:
Entre as palestras que foram ministradas, gostaria de dar um resumo da apresentação do professor Dr. José A. D. Abib. Um ser humano incrível, diga-se de passagem. Sua palestra tinha o título: "Skinner, democracia e anarquia". Aqui serão feitas referências à palestra e também colocarei opiniões próprias.
O texto base, é obviamente o capítulo 1 do livro do Skinner "Reflections on Behaviorism and Society" e Abib também indica a leitura do livro "A Política" de Aristóteles.
O professor começa a palestra falando sobre os tipos de governo que existem e começa a fazer inferências sobre qual estilo governamental seria a utopia de Skinner, o Walden II, uma vez que lá, a priori, não possui um governo propriamente dito. Abib faz reflexões e chega à conclusão de que Walden II possa ser uma aristocracia. Entretanto, Skinner se define como uma anarquista benigno, logo, ele talvez possa se mostrar contra a democracia.
No entanto, o que Skinner entende por governo, se ele é contra o controle aversivo e também contra o contracontrole. Na verdade, Skinner é totalmente contra a violência.
Entretanto, Skinner reconhece um fator importante da democracia: ela tenta amenizar o controle aversivo através do uso da diplomacia, por exemplo. Afinal, muitas questões, se não fossem resolvidas diplomaticamente, já teríamos a 3ª Guerra Mundial ou talvez a 4ª e a 5ª. Ele reconhece o valor que a democracia tem para valorizar a vida dos seres e também e a busca pelo reforçamento positivo que isso causa.
Segundo Skinner, todo regime de governo deveria ter ao menos dois pontos principais: a liberdade e a felicidade. A principal crítica de Skinner, se dirige à democraria representativa, onde os representantes usam a ocupação do poder, ou seja, o controle se concentra naqueles que "foram escolhidos" pelo povo. E é aí que Skinner diz que jamais devemos delegar soberania aos outros. Podemos concluir, então, que Skinner é contra eleições e contra a concentração do poder.
Abib diz que a democracia representativa exisitria no bem-estar social. Além disso, esse bem-estar social libera consequências positivas que NÃO SÃO contingentes às situações. Essa democracia social (que não está livre da democracia representativa) apresenta consequências positivas para quem não precisa, por exemplo, ricos não pagam impostos altos, de modo que os bens são distribuídos a evitar o contracontrole e a tributação pesada cai justamente sobre aqueles que não têm condições.
No texto (o capítulo 1 do livro "Reflections on Behaviorism and Society"), Skinner trabalha com dois conceitos de cultura: o primeiro é a "cultura antiga", a segunda é a "cultura atual". Na primeira, o ambiente é dividido entre Estado (poderes legislativo, judiciário, etc.), Economia e Cultura (artes, religião, educação. Isso vem dos pensadores romanos, "cultivar" -que é cultura em sua origem taxonômica- como educação, sofisticação, etc.)
Já o sentido atual de cultura diz que tudo é cultura. Após essa distinção, Skinner diz que a democracia é cultura. Nos dois sentidos. Sendo que no antigo é num nível micro (exclui o Estado e a sociedade é restrita) e a atual é num nível macro (envolveria o Estado, a sociedade, a Cultura no sentido antigo).
Skinner prefere a democracia antiga simplesmente pelas contingências serem menos instituicionalizadas, ou seja, são menos arbitrárias e, por conseguinte, mais naturais. Entretanto, ele aceita e reconhece a importância das indústrias e do Estado numa socieade. Desse modo, ele critica o Estado, as instituições, as regrças e o reforçamento planejado... defende o reforçamento natural.
Então, o que Skinner quer? Controle face a face. Controle NÃO é governo. Governo exerce o poder em favor da oligarquia. O controle defende o POVO. A palavra controle demanda elite, mas não exploradora, e sim, em favor das pessoas. O controle é feito POR pessoas PARA pessoas.
Skinner não é inimigo da liberdade nem da democracia. O que ele prefere é uma democracia anarquista. Nas palavras de Abib: "O anarquismo é o ódio ao poder à humanidade".
Sendo assim, Walden II é anarquista? Se o anarquismo é uma democracia, então sim. Mas parece que há uma aristocracia. Frasier (um dos personagens principais da novela utópica) é tecnólogo do comportamento, cientista. E é um dos líderes de Walden II (aristocracia demanda líderes que são capacitados para exercer tal cargo). Walden II é um autoritarismo? Há um aspecto autoritário, onde as pessoas não podem discutir problemas relacionados a Walden entre si. Que é o que faria Abib não morar em Walden, segundo ele.
Por fim, Abib conclui: Walden II é misto. É anarquia, é democracia e uma aristocracia técno-científica e a população não pode discutir o código de conduta de Walden entre si, o que é o aspecto autoritário.
Quando eu terminei de ler o livro Walden II eu disse: não conseguiria morar lá, mas não consegui discriminar muito bem o motivo. Creio que Abib tenha me ajudado um pouco.
O livro que contém o texto base é esse:
(Foto: Meu livro. Importado de uma biblioteca de Ohio)
terça-feira, 5 de março de 2013
O Comportamento Verbal de B. F. Skinner: Resenha Crítica
Minha resenha do livro O Comportamento Verbal (1978) de B. F. Skinner foi publicada no site (EN)Cena. Para lê-la, clique aqui.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Quero saber mais. Por onde começar?
As pessoas querem começar a ter um contato maior com a Análise do Comportamento e a própria teoria do Behaviorismo Radical e muitas vezes não sabem por onde começar. Pois bem, eu fiz uma seleção de livros que talvez seja útil.
O primeiro livro que eu indicaria seria o Princípios Básicos de Análise do Comportamento do Márcio Borges Moreira e do Carlos Augusto de Medeiros, que é da editora Artmed. É um livro extremamente gostoso de ler, de linguagem muito fácil. É um dos livros que a professora de Psicologia Experimental da minha faculdade usa como base para a matéria, justamente pela simplicidade com que os autores explanam conceitos básicos da Análise do Comportamento, desde os primórdios do Behaviorismo até os procedimentos laboratoriais que devem ser realizados com alunos.
O segundo livro que eu indicaria para se ler é o Compreender o Behaviorismo: comportamento, cultura e evolução do biólogo americano William M. Baum. Este livro também é da editora Artmed. Com a capa preta, como o da foto, é a 2ª edição do livro. Ele possui uma linguagem um pouco mais difícil do que o livro anterior do Moreira e Medeiros, no entanto, não há sofrimento para compreensão do assunto. Esse livro é extremamente abrangente, fala desde as origens filosóficas do Behaviorismo até de temas mais "polêmicos" da teoria, como pensamento, liberdade e cultura.
Creio que depois que uma pessoa tenha lido os dois livros anteriores, ela já tenha maturidade suficiente para ler Skinner no Skinner. E o primeiro livro que eu indico dele é o Sobre o Behaviorismo, da editora Cultrix. O Skinner começa esse livro apontando as críticas recorrentes que são feitas à sua teoria pelos teóricos de outras abordagens da psicologia e de outras áreas da ciência. Durante o livro ele vai respondendo todas essas críticas em capítulos que falam desde o condicionamento operante até o pensamento e o "mundo dentro da pele". Esse livro, por se tratar de ser um original do criador da teoria, digamos assim, torna-se um pouco mais difícil de se ler. Requer um pouco mais de atenção, entretanto, é um livro muito pequeno, que eu brinco: "é o livro de bolso que o Skinner escreveu".
Este livro, o Ciência e Comportamento Humano, do Skinner, é ideal para quem conhecer mais profundamente o Behaviorismo Radical e o poder que ele tem, em minha opinião. Ele é bem mais longo que os anteriores, de quase 500 páginas, pela editora Martins Fontes. A capa da foto é da 11ª edição. Este é um dos livros nos quais o Skinner fala de sua teoria pelo mais científico possível, porém de maneira "dinâmica", digamos assim; apontando vários experimentos e dando vários exemplos para explicar conceitos mais complexos. É um livro de difícil linguagem que requer dedicação de quem o lê e não estiver acostumado com a linguagem de "originais". Mas vale muito a pena ler esse livro. Muito mesmo. Falando de um modo mais informal e pessoal, é um livro que eu terminei de ler e falei: "que livro brilhante!", porém, este foi um pensamento que me ocorreu durante toda a leitura.
Este último livro que eu indico nessa postagem, o Questões Recentes na Análise Comportamental, também do Skinner, pela Papirus Editora, é extremamente gostoso de ler. É de leitura muito rápida. Li em 6 dias. No entanto, é um livro que já se encontra esgotado. Para ter acesso a ele é necessário virar rato de sebos (mesmo que sejam os onlines como a Estante Virtual). É um livro onde o Skinner fala de como a teoria dele se encontra na contemporaneidade. Ele abrange temas desde psicoterapia até cultura. Como disse uma professora minha, de Teorias e Técnicas Psicoterapêuticas Comportamentais: "O Skinner teve sorte de viver até tão tarde e ter podido escrever sobre a teoria dele nos tempos atuais". Este livro é de 1989 (lançado no Brasil em 1990).
Eu creio que esses livros sejam os ideiais para quem quer começar a conhecer um pouco mais a fundo a teoria skinneriana e a Análise do Comportamento. Em breve, numa outra postagem, farei outras indicações de livros só do Skinner, pela ordem que eu li, que achei satisfatória.
Todavia, antes de terminar essa postagem, gostaria de indicar um livro para quem está mais interessado pela Psicologia Experimental. É o livro A Análise do Comportamento no Laboratório Didático, da Maria Amélia Matos e Gerson Yukio Tomanari, de linguagem muito fácil e dinâmica. É pela editora Manole. Ele fala passo a passo cada procedimento laboratorial, abrangendo também como se cuida de um biotério, como se segura um sujeito experimental e até mesmo os motivos pelos quais o rato albino é considerado o sujeito experimental ideal.
Bom, termino essa postagem por aqui. Como disse, em breve farei outras indicações, somente com a obra do Skinner. Eu realmente espero que tenha sido útil de alguma maneira, embora ache que tenha deixado muitos livros para trás.
Conferência de B. F. Skinner para Psiquiatras e Psicólogos
Há algumas semanas, disponibilizaram no YouTube uma conferência que o Skinner fez para psiquiatras e psicólogos nos Estados Unidos legendando em português. No entanto, eu não consegui descobrir nada sobre o local ou a data onde essa conferência ocorreu (inclusive, se alguém souber essas informações eu agradeceria muito se pudesse me passar).
Abaixo estão os vídeos da conferência (que está dividida em seis partes), contudo, a legenda não é embutida. Você precisará ativá-la. É muito fácil: no canto inferior direito do vídeo estarão alguns símbolos, você precisará clicar no segundo da esquerda para a direita e pronto! Legenda ativada! Divirtam-se:
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