Como, infelizmente, não foram todos que tiveram acesso à apresentação do meu trabalho no III Encontro Regional de Psicologia, deixo aqui as (poucas e mais óbvias) 5 razões que mostrei que evideciam que a Análise do Comportamento NÃO está em decadência como disse, em sua palestra, o Prof. Oswaldo H. Yamamoto, a quem tenho grande respeito, pelo simples reconhecimento de que Skinner é mal-compreendido e criticado erroneamente.
1) Alguns países que têm representantes e associações ligadas à ABAI (Association for Behavior Analysis International): Estados Unidos, Brasil, Colômbia, Espanha, Índia, Suíça, Albânia, Itália, França, Austrália, Irlanda, Bermudas, China, UK, Israel, Japão, Jordânia, Coréia do Sul, Nova Zelândia, Noruega, Canadá, Polônia, México, Suécia, Taiwan, África do Sul, etc. (fonte: www.abainternational.org)
2) Alguns temas trabalhados por essas Associações e pela ABAI: Comportamento animal; Autismo; Robótica (evidenciando o papel da AC na ENGENHARIA e também no DESIGN); Sociedades Sustentáveis (evidenciando o papel da AC na ARQUITETURA E URBANISMO e também no DESIGN); Comportamento Militar; Coaching; Gerontologia; Medicina Comportamental; Crimes, Delinquência e AC Forense; Prática baseada em Evidência; Análise Experimental do Comportamento Humano; Gambling; Saúde, Esporte e Fitness; História da AC; Neurociências; AC Organizacional; Orientação a pais e famílias; Transtornos Alimentares pediátricos; etc. (fonte: www.abainternational.org)
3) O Brasil tem que perder esse MITO de que a Análise do Comportamento é EXCLUSIVA a psicólogos. Existem arquitetos, engenheiros, designers (como o Alessandro Vieira dos Reis, do blog Olhar Comportamental), biólogos (como o William Baum) e muitos outros "não-psicólogos" que são behavioristas radicais.
4) O Brasil é o primeiro país a fazer as famosas Jornadas de Análise do Comportamento (JACs), evidenciando a força e o interesse no avanço e disseminação dessa ciência no nosso país.
5) O anúncio feito da criação da Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr) e a própria Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental.
É ÓBVIO que existem muito mais razões pelas quais a AC e o Behaviorismo Radical estão cada vez mais fortes, entretanto, só sendo apontadas essas 5 razões para quem compra qualquer informação que é dita por alguém que tem títulos, já é um começo.
ps.: essas respostas foram "pesquisadas" com a internet 3G da tim, pois estava sem wireless. Então, realmente existem muito mais evidências de que nossa ciência não está em declínio como os psicólogos gostam de disseminar. As postagens anteriores, que são todas em função da criação da ACBr, mostram isso. Nós, no Brasil, somos a segunda maior comunidade de Analistas do Comportamento do PLANETA. Estamos atrás somente do berço: EUA.
"Possivelmente, a realização mais nobre da qual o homem pode aspirar (...) é aceitar ele mesmo pelo que ele é." ~ B. F. Skinner, 1959. [Este é um blog que, de maneira "informal", falará sobre assuntos cotidianos - ou nem tanto - na visão de um behaviorista radical. Espero que seja positivamente reforçador para os leitores!]
Mostrando postagens com marcador Análise do Comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Análise do Comportamento. Mostrar todas as postagens
sábado, 10 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
Entrevista com Roosevelt Starling sobre a criação da ACBr realizada pelo Comporte-se
Segue abaixo, a entrevista que o site Comporte-se fez com o prof. Roosevelt Starling sobre a criação da Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr):
1) Quem são os proponentes da nova associação e por qual motivo não assinaram o e-mail de apresentação da proposta?
Neto, ao ler, primeiramente, todas as perguntas que me faz, é importante deixar claro que posso falar apenas de um ponto de vista estritamente pessoal, ou seja, o que digo aqui reflete apenas o meu entendimento pessoal e nada mais do que isso. Mesmo porque não existe um grupo, como tal organizado, do qual eu pudesse ser o porta-voz. O que temos são algumas pessoas com um propósito. O grupo virá depois, espero, e por certo terá o seu porta-voz.
Na sua introdução, você fala em carta “polêmica”. Não penso que seja. É somente um convite, uma sondagem, para saber se haveria interessados na constituição de uma associação de analistas do comportamento. Havia. Muitos. A polêmica surgiu depois, como um efeito perfeitamente natural e previsível, em função da complexidade e dos múltiplos interesses e convencimentos que coexistem em qualquer comunidade humana.
Vamos à sua primeira pergunta. Vai lá alguém saber de bem sabido, no mar de contingências em que vivemos e no rio de estímulos em que navegamos, porque alguém fez o que fez. O comportamento é multideterminado e só numa caixa experimental podemos, penosamente e putativamente, isolar variáveis. Por mim, faz anos que tenho este sonho. Disse isso em Brasília, há anos atrás: I have a dream! Disse assim mesmo, em inglês, porque queria emprestar ao meu desiderato a força do célebre I have a dream! dito pelo inesquecível Martin Luther King (ocorre-me agora, com tremores, que ele pagou com a vida por isso...Ixi!). E o dream era esse: uma associação assumidamente analítico-comportamental. Porque? Por que temos uma identidade, um nome e propósito singulares dos quais me orgulho. A extraordinária ousadia de estudar o comportamento humano com as regras das ciências naturais me fascina. O que já conseguimos até hoje me fascina ainda mais. O que poderemos conseguir nos séculos que virão me fascina mais ainda. E não posso negar que fico mesmo incomodado com o que chamaria de uma espécie de “interdito” a uma associação com o claro nome analítico-comportamental. Parece que qualquer outro nome pode, menos esse. Então, transformo o Porque? retórico acima em Porque não?
I have a dream e houve a oportunidade, pelo apoio de vários, repito, vários colegas a essa ideia, lançada quase ao ar, quase como um “e se...”, num ambiente informal. Tanto a ideia quanto ao apoio daqueles colegas eram, é claro, uma resposta possível dada às contingências em ação. O número de colegas que aceitaram o convite, a consulta, a tomada de pulso, fazendo sua pré-adesão, empresta força a esta minha interpretação. Não são as pessoas. São as contingências.
Foi nessa (relativa) informalidade que nasceu a carta convite. Ao enviar as cartas-convite que eu mesmo enviei, eu o fiz em meu próprio nome. Não estava escondido nem me escondendo. Martha e Todorov também assim fizeram, para todos, tanto quanto sei. Penso que a carta-convite propriamente dita não foi assinada porque não havia mesmo um autor privilegiado para assiná-la. Falamos, topamos, fizemos. Não somente nós três. Nós três somente chamamos a nós a tarefa do convite inicial e ao fazê-lo, é claro, assumimos publicamente nosso propósito comum. Particularmente, nunca fiz segredo deste meu desiderato, como disse acima.
2) Que contingências contribuíram para o surgimento da proposta de criar de uma nova associação?
Para mim, como disse o Todorov, penso que foram 52 anos de tentativas para nos apresentarmos publicamente com a nossa própria identidade e singularidade, com nosso próprio rosto e aceitar o ônus e o bônus dessa assunção aberta, clara, transparente. Sei muito bem, na própria pele, dos preconceitos, da propaganda negativa, da desinformação que assombram aqueles que se declaram analistas do comportamento. Os tempos agora são mais suaves, mas não eram, a 30, 40 anos atrás. A hora é boa. Bem, respondo pelo que posso perceber dos meus controles. Quantos aos dos demais, só perguntando para eles. Mesmo assim, nos diz nossa ciência que dificilmente cada um de nós os conhece a todos. Ou diz todos que conhece.
3) Entre as motivações para criação da ACBr existe algum tipo de insatisfação com a atual diretoria da ABPMC?
Talvez aqui, na resposta a esta pergunta, me sinta à vontade para incluir o Todorov na minha resposta, mesmo porque ele já se pronunciou claramente sobre o assunto, na leva “epistolar” que se seguiu à carta-convite, amplamente divulgada na internet.
O atual presidente da ABPMC é o João Ilo, de Fortaleza, Ceará. A trajetória profissional e acadêmica do João Ilo é claramente analítico-comportamental. Acompanho o João Ilo há anos. Para mim, é um profissional sério e competente. O núcleo analítico-comportamental de qualidade irretocável que vai se desenvolvendo no Ceará tem o dedo dele e eu mesmo tive a honra de testemunhar pessoalmente, lá, em Fortaleza, uma das fases desse trabalho. João Ilo é uma pessoa de primeira classe. Pessoas de primeira classe agregam junto a si colaboradores de primeira classe. Acho que isto responde à sua pergunta, num sentido estrito.
Num sentido mais amplo e impessoal, quaisquer insatisfações que possam ser pensadas com relação à atual diretoria eu não tenho dúvida em classifica-las como absurdas e preconceituosas. Faz poucos meses que este grupo assumiu a ABPMC. Assumiram corajosamente uma trabalheira infernal para prestar um serviço à nossa comunidade (ABPMC). Não ganham nada com isso, exceto dor de cabeça, como bem sabem todos aqueles que já assumiram esta responsabilidade. Mão na consciência, não é?
Para que não haja qualquer dúvida: não. Nenhuma.
Nem com relação à ABPMC como tal. Sou afiliado a ela desde o seu começo, nestes 22 anos deixei de ir a somente um Encontro e pretendo ir, no futuro, a todos que puder. Aliás, fico pensando de onde, com que base, com que propósito, se algum, teria surgido a ideia de uma oposição: ou a ABPMC ou a ACBr. Eu fico com as duas.
4) A nova associação atenderia a quais objetivos ou necessidades que a ABPMC já não atende?
Na minha maneira de ver, todas aquelas que dizem respeito às contingências específicas e singulares quanto ao avanço, aos interesses profissionais específicos, às singularidades e à disseminação da Análise do Comportamento no Brasil. Temos a SBP como o grande espaço de convergência da psicologia no nosso país. Temos na ABPMC nosso local de encontro privilegiado. E teremos a ACBr para tratar, 365 dias por ano, das especificidades da nossa ciência.
5) Que modelo de gestão a nova associação deverá adotar? Será semelhante ao que modelo de gestão da ABPMC?
Ao fim e ao cabo, não faço ideia, porque esta será uma decisão do corpo pleno da ACBr, uma vez constituído. O que sei é que a ideia do estatuto preliminar, necessário para viabilizar a formalização da associação, terá como referência o sistema de gestão da ABAI, bastante diferente daquele que vem sendo a norma na ABPMC. Aqui a ideia é institucionalizar e assegurar ao máximo o caráter impessoal do sistema de escolha dos gestores. É assegurar ao máximo e dar prioridade à preservação da cultura que é a Análise do Comportamento. Eu acredito que é uma concepção de gestão que, se conseguirmos fazê-la funcionar, atenderá bem a esses propósitos. Mas será um estatuto preliminar. Qual será o estatuto finalmente aprovado pelos associados é uma questão aberta. Está no futuro.
6) Como você avalia algumas previsões de que, ao invés de fortalecer politicamente a abordagem, a criação de uma nova associação a enfraquecerá?
E do futuro não saberás! Evidentemente, nós que aderimos a esta proposição, acreditamos que fortalecerá, é claro. O contrário disso seria absurdo. Os que por diversos motivos são contra pensam, é claro, que enfraquecerá. Nem uns nem outros sabem com segurança o que o futuro mostrará, o que me parece ser mais claro ainda. E ainda mais claro é que, se não tentarmos, jamais saberemos. Na minha vida, luto para não sucumbir ao reforço negativo. Tento muito vencer os meus medos e lutar pelo bem que almejo, ao invés de lutar para evitar o mal que temo. Penso estar fazendo isso aqui, agora.
7) A nova associação pretende tomar frente na certificação do Analista do Comportamento individualmente ou, ainda, em conjunto com a ABPMC?
Mais uma vez, você me pergunta algo que só poderá ser respondido pelo corpo pleno da ACBr. Posso falar por mim. É público meu interesse nesta questão da certificação. Tenho estudado isto com grande interesse. Exatamente por isso, talvez esteja sensibilizado pelas tremendas dificuldades que este tema envolve. Mas meu posicionamento pessoal não é tão importante. Sou somente um membro das comunidades às quais me afiliei. Penso que aqueles que têm alguma posição bem delineada, algum convencimento sobre o tema, devem, como membros da associação, lutar pela prevalência das suas posições, contra ou a favor. Esse embate é legítimo e necessário. Eu lutarei pela minha.
8) Já existem propostas sobre como a associação deverá lidar com problemáticas como a necessidade de melhoria na qualidade da formação em Análise do Comportamento em Cursos de Graduação, a criação de condições que favoreçam ao aplicador atuar conforme o rigor conceitual e tecnológico desejado ou, ainda, outras que possam surgir? Se sim, quais são?
Novamente, uma questão para o corpo pleno da ACBr. Pessoalmente, reconheço as problemáticas que você levanta e tenho meus posicionamentos sobre elas. E um mundo de ideias a oferecer e discutir. Eu e, provavelmente, mais uns mil colegas, imagino.
9) O que de fato já está definido sobre nova associação?
O que está claramente exposto na carta-convite. Será formada uma comissão provisória que terá a missão de viabilizar legalmente a constituição da associação, que consiste basicamente em elaborar um estatuto e fazer o seu registro legal. Essa comissão será automaticamente dissolvida ao término do seu trabalho. Feito isso, será enviada a todos aqueles que se manifestaram positivamente, registrando sua pré-adesão, uma correspondência convidando-os a tomar conhecimento do estatuto preliminar e condições iniciais e, se desejarem, fazer sua afiliação formal.
Relendo suas perguntas e as respostas que pude dar a elas, ocorre-me que as perguntas sugerem existir a ideia de que existiria um plano pronto para a ACBr. Singelamente, mas não há. Há um propósito e um desejo longamente acalentado por boa parte de nós que, pensamos, podemos agora tornar real.
O que trará a ACBr somente o futuro poderá desvelar. Se aplicarmos a nós mesmos o que ensina a nossa ciência, se construirmos um ambiente produtivo e reforçador, se as contingências forem de fato favoráveis, como pensamos que são, se as discriminarmos e respondermos a elas adequadamente, provavelmente teremos sucesso. Se não, então não.
10) Porque o endereço de e-mail que consta na consulta sobre o interesse na ACBr contem a sigla “aba” (acbr_aba)? Pretende-se algum tipo de afiliação da ACBr à ABAI?
Ah, isso! É que lá estava eu, tentando criar o grupo no Yahoo que pudesse recolher o interesse dos colegas. Quando o programa pediu que escolhesse o nome de usuário para o grupo, tentei ACBr. Já existia. Depois tentei uma sequência de variações. O programa não deixava prosseguir. Nome de usuário já ocupado. Pensei então na solução do underline. Escrevi acbr_ e imediatamente pensei em aba. Tem a ver, afinal. Aí o programa aceitou.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Alguns Mecanismos de Defesa freudianos sob olhar do Behaviorismo Radical de Skinner: Resumo Expandido
Algumas pessoas se mostraram interessadas no trabalho que apresentei no Encontro Sul-Brasileiro de Análise do Comportamento. Como não posso postar o artigo na íntegra antes de ser publicado, lhes darei o resumo expandido nesse post. Espero que gostem. Quaisquer perguntas, sintam-se livres para fazer. Segue abaixo:
Resumo
Introdução: Os mecanismos de defesa foram
elaborados na teoria psicanalítica de S. Freud e designam diferentes operações
mentais que têm como principal função proteger o indivíduo daquilo que lhe
possa causar algum sofrimento psíquico. Segundo teóricos psicanalíticos, todos
esses mecanismos se processam pelo ego, sendo, em sua maioria, inconscientes.
Já o ego é considerado parte de uma estrutura mental, na qual ainda existem
outras duas estruturas chamadas id e superego, que compõem a tríade mental que
determina como se dá a personalidade do indivíduo. Essa tríade surge da
necessidade do organismo de fazer transações entre o mundo interno e o mundo
objetivo externo. Entretanto, todos esses conceitos partem (e fazem parte) de
explicações mentalistas para o comportamento. Explicações essas que, para os
behavioristas radicais, são no mínimo insuficientes e insatisfatórias, uma vez
que o comportamentalismo entende que a maneira pela qual um organismo se
comporta depende muito mais de variáveis ambientais das quais o comportamento é
função do que de uma possível mente de natureza imaterial. Visto isto, esta
pesquisa teve como objetivo principal entender como o Behaviorismo Radical
poderia contemplar alguns mecanismos de defesa freudianos pautando-se não em
uma estrutura mental para explicar estes fenômenos, mas na sua relação com o
controle aversivo, com princípios do reforçamento negativo, dos comportamentos
de fuga e esquiva e também da punição.
Método: Este projeto foi realizado com base
em livros e artigos científicos nacionais e internacionais, em textos do
próprio Skinner e do Freud, bem como seus comentadores contemporâneos que
expõem conceitos de mecanismos de defesa, na visão de ambos os autores; de
controle aversivo, fuga e esquiva e outros conceitos que possam explicar alguns
mecanismos de defesa. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, a
fim de contemplar a relação entre estes conceitos e entender qual é a visão do
Behaviorismo Radical sobre os mecanismos de defesa ditos inconscientes pela teoria
psicanalítica de Freud.
Resultados: Os mecanismos de defesa, para
psicanálise, servem basicamente para defender o ego daquilo que ele não está
preparado para enfrentar. Talvez tais mecanismos possam ser descritos em
comportamentos de fuga e esquiva que um indivíduo apresenta quando está sob
controle aversivo. Visto isso, esta pesquisa contemplou a análise dos seguintes
mecanismos: repressão, negação, projeção, sublimação, formação reativa e
identificação. Sob a visão psicanalítica, a repressão seria considerada um
mecanismo que mantém fora da consciência impulsos, ideias e sentimentos que são
inaceitáveis por provocarem ansiedade. A negação seria o bloqueio de algumas
percepções do mundo externo ou a negação da própria existência para se
proteger. O mecanismo de projeção poderia ser descrito como um processo da
mente pelo qual características do próprio indivíduo não são aceitas
conscientemente, e assim, atribuídas ao meio. Já a formação reativa seria a
adoção de um comportamento oposto à tendência reativa que o sujeito tenta
esconder. A sublimação seria explicada como desejos inaceitáveis que são
expressos de forma socialmente aceita; e na identificação, a pessoa assumiria
características de outra e as adequariam à sua própria personalidade. As explicações
behavioristas apresentadas para se entender os mecanismos de defesa mostra que
esses fenômenos estão potencialmente relacionados com o reforçamento negativo,
que, por conseguinte, associam-se a comportamentos de fuga e esquiva que o
indivíduo pode apresentar, num primeiro momento. Assim, a repressão pode ser
explicada como um comportamento de esquiva em relação às contingências
aversivas semelhantes às que causaram um dado trauma ou a falta de
sensibilidade a essas contingências. A negação seria basicamente a fuga de
situações potencialmente aversivas, que causariam demasiado sofrimento. A
projeção teria uma relação com a supressão do comportamento punido ou com o
comportamento que fosse ao menos passível de punição. A formação reativa
poderia ser explicada por meio da emissão de um comportamento incompatível com
o punido. A sublimação, por sua vez, poderia ser explicada como um
comportamento que é emitido de modo a receber reforçamento positivo. E, por
fim, a identificação poderia ser explanada recorrendo-se ao princípio do
comportamento imitativo.
Discussão:
Concluiu-se que os mecanismos de defesa estão relacionados com fuga e
esquiva, podendo ser mantidos pelo reforçamento negativo além de poderem estar
relacionados com a busca pelo reforçamento positivo e com comportamento
imitativo. Freud contribuiu para o conhecimento humano, mas as variáveis
ambientais tiveram papel secundário em sua teoria. Por fim, concluiu-se que as
explicações mentalistas não ficam num domínio comportamental para explicar atos
humanos, mas partem deles para inferir causas internas ao comportamento.
Referências
Adams, H.
E.; Wright Jr., W. L.; Lohr, A. B. (1996) Is
Homophobia Associated With Homosexual Arousal? Journal of Abnormal
Psychology, Vol. 105, n. 3, pp. 440-445.
Braghirolli,
E. M.; Bisi, G. P.; Rizzon, L. A.; Nicoletto, U. (2010) Psicologia Geral. 29 ed. Petrópolis: Editora Vozes.
Brenner, C. (1987) Noções Básicas de Psicanálise. São Paulo: Imago.
Cabral, A.; Nick, E. (2000) Dicionário Técnico de Psicologia. São
Paulo: Cultrix.
Freud, S. (2006) Cinco Lições de Psicanálise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos
(1910). Rio de Janeiro: Imago.
Freud, A. (2006) O ego e os mecanismos de defesa. Porto Alegre: Artmed.
D’Andrea, F. F. (2001) Desenvolvimento da personalidade: enfoque
psicodinâmico. 15ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
Guilhardi, H. J. Um modelo comportamental de análise de sonhos. In Rangé, B. (1998) Psicoterapia comportamental e cognitiva de
transtornos psiquiátricos. Ed. Psy II.
Hall, C. S.; Lindzey, G; Campbell, J. B.
(2000) Teorias da Personalidade.
Porto Alegre: Artmed.
Kohlenberg, R. J.; Tsai, M. (2006) FAP – Psicoterapia Analítica Funcional:
Criando Relações Terapêuticas Intensas e Curativas. Santo André: ESETec.
Moreira, M. B.; Medeiros, C. A. (2007) Princípios Básicos de Análise do
Comportamento. Porto Alegre: Artmed.
Roudinesco, E.; Plon, M. (1998) Dicionário de Psicanálise. Rio de
Janeiro: Zahar.
Schultz, D. P.; Schultz, S. E. (2011) História da Psicologia Moderna. São
Paulo: Cengage Learning.
Sidman, M. (1995) Coerção e suas implicações. Campinas: Psy II.
Skinner, B.
F. (1938/1991) The Behavior of Organisms.
Cambridge: B. F. Skinner Foundation.
Skinner, B.
F. (1956) Critique of Psychoanalytic
Concepts and Theories. In H. Feingl; M. Scriven (Eds.) The Foudations of Science and the Concepts of Psychology and
Psychoanalysis (Minnesota Studies of the Philosophy of Science, Vol. 1, pp.
77-87). Minneapolis (MN): University of Minnesota Press.
Skinner, B.
F. (1965) Science and Human Behavior.
New York: The Free Press.
Skinner, B.
F. (1969) Contingencies of Reinforcement
– A Theoretical Analysis. New
York: Appleton-Century-Crofts.
Skinner, B.
F. (2006) Sobre o Behaviorismo. 10 ed. São Paulo:
Cultrix.
Skinner, B. F. (1978) O Comportamento Verbal. São Paulo: Cultrix.
Teixeira Júnior, R. R.; Souza, M. A. O. (2006)
Vocabulário de Análise do Comportamento –
Um manual de consulta para termos usados na área. Santo André: ESETec.
Zimerman, D. E. (1999) Fundamentos Psicanalíticos: teoria, técnica
e clínica. Porto Alegre: Artmed.
quarta-feira, 6 de março de 2013
I Jornada de Análise do Comportamento - Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Você pode se inscrever, submeter trabalhos à aprovação e apresentá-los em forma de painel, além de adquirir muito conhecimento e umas horinhas extra-curriculares numa das maiores potências, a nível de instituição, do Paraná e do Brasil em Análise do Comportamento.
Para se inscrever e saber mais informações acessem o site da JAC-UEL.
Assinar:
Postagens (Atom)