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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Anúncio encaminhado à SBP e ABPMC sobre a ACBr


A professora Martha Hübner publicou em sua página no Facebook o anúncio que foi encaminhado à SBP e à ABPMC sobre a criação da ACBr. Vejam abaixo:


ANÚNCIO

Os primeiros trabalhos de Análise do Comportamento no Brasil foram feitos na Universidade de São Paulo em 1961 e na Universidade de Brasília em 1964, publicados nos Estados Unidos e apresentados em reuniões da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da American Psychological Association. Encontros anuais de analistas do comportamento começam em 1971, na primeira reunião anual de psicologia da Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto (hoje Sociedade Brasileira de Psicologia). Apesar de maioria na direção e no número de trabalhos apresentados, analistas do comportamento preferiram fortalecer uma sociedade de psicologia, continuando a participar até hoje. Das reuniões de Ribeirão Preto originaram-se várias das associações atualmente ativas, como a ABRAPSO, por exemplo. Profissionais analistas do comportamento que frequentavam a SPRP fundaram a AMC (Associação de Modificação do Comportamento), depois Associação Brasileira de Análise do Comportamento, e eventualmente, há 22 anos, a ABPMC, Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental, já então não exclusiva de analistas do comportamento. A ABPMC cresceu e se desenvolveu sem prejuízo para a SBP. Recentemente um grupo de analistas do comportamento, dentre os quais estão os que assinam este comunicado, divulgou na internet um chamado para adesões a uma nova associação, exclusivamente voltada para a análise do comportamento. Adesões rapidamente passaram de 200 e uma comissão provisória, que assina este comunicado, foi formada para elaborar uma minuta de estatutos. Não há intenção de competir, nem com a SBP, nem com a ABPMC. Em termos de abrangência, a ACBr estará contida no âmbito da ABPMC, assim como a ABPMC está contida no âmbito da SBP, e a SBP está contida no âmbito da SBPC. É nossa intenção programar reuniões coordenadas com as reuniões da ABPMC. Lembramos a todos que a força da análise do Comportamento em nosso País dependeu substancialmente da multiplicação de Jornadas de Análise do Comportamento, Ligas de Análise do Comportamento e outras iniciativas que envolveram a organização de eventos de grande sucesso para a divulgação da nossa ciência. Essas iniciativas não dividiram a área nem isolaram grupos; ao contrário fortaleceram enormemente a ABPMC ao invés de enfraquece-la, contribuindo para a difusão da Análise do Comportamento no Brasil e a maior visibilidade das contribuições de nossa comunidade no cenário mundial. Dada a repercussão gerada pela divulgação da proposta, decidimos fazer este comunicado às Diretorias e aos Conselhos da ABPMC e da SBP. Chegamos para fortalecer, para somar e multiplicar.São João del Rey (MG), São Paulo, (SP), Setauket (NY), Belém (PA), Brasília (DF) e Jataí (GO), 6 de agosto de 2013.

Roosevelt Starling
Martha Hubner
João Claudio Todorov
Marcelo Benvenuti
Marcelo Borges Henriques
Márcio Borges Moreira
Romariz Barros

domingo, 4 de agosto de 2013

Entrevista com Roosevelt Starling sobre a criação da ACBr realizada pelo Comporte-se

Segue abaixo, a entrevista que o site Comporte-se fez com o prof. Roosevelt Starling sobre a criação da Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr):


1) Quem são os proponentes da nova associação e por qual motivo não assinaram o e-mail de apresentação da proposta?

Neto, ao ler, primeiramente, todas as perguntas que me faz, é importante deixar claro que posso falar apenas de um ponto de vista estritamente pessoal, ou seja, o que digo aqui reflete apenas o meu entendimento pessoal e nada mais do que isso. Mesmo porque não existe um grupo, como tal organizado, do qual eu pudesse ser o porta-voz. O que temos são algumas pessoas com um propósito. O grupo virá depois, espero, e por certo terá o seu porta-voz.

Na sua introdução, você fala em carta “polêmica”. Não penso que seja. É somente um convite, uma sondagem, para saber se haveria interessados na constituição de uma associação de analistas do comportamento. Havia. Muitos. A polêmica surgiu depois, como um efeito perfeitamente natural e previsível, em função da complexidade e dos múltiplos interesses e convencimentos que coexistem em qualquer comunidade humana. 

Vamos à sua primeira pergunta. Vai lá alguém saber de bem sabido, no mar de contingências em que vivemos e no rio de estímulos em que navegamos, porque alguém fez o que fez. O comportamento é multideterminado e só numa caixa experimental podemos, penosamente e putativamente, isolar variáveis. Por mim, faz anos que tenho este sonho. Disse isso em Brasília, há anos atrás: I have a dream! Disse assim mesmo, em inglês, porque queria emprestar ao meu desiderato a força do célebre I have a dream! dito pelo inesquecível Martin Luther King (ocorre-me agora, com tremores, que ele pagou com a vida por isso...Ixi!). E o dream era esse: uma associação assumidamente analítico-comportamental. Porque? Por que temos uma identidade, um nome e propósito singulares dos quais me orgulho. A extraordinária ousadia de estudar o comportamento humano com as regras das ciências naturais me fascina. O que já conseguimos até hoje me fascina ainda mais. O que poderemos conseguir nos séculos que virão me fascina mais ainda. E não posso negar que fico mesmo incomodado com o que chamaria de uma espécie de “interdito” a uma associação com o claro nome analítico-comportamental. Parece que qualquer outro nome pode, menos esse. Então, transformo o Porque? retórico acima em Porque não?

I have a dream e houve a oportunidade, pelo apoio de vários, repito, vários colegas a essa ideia, lançada quase ao ar, quase como um “e se...”, num ambiente informal. Tanto a ideia quanto ao apoio daqueles colegas eram, é claro, uma resposta possível dada às contingências em ação. O número de colegas que aceitaram o convite, a consulta, a tomada de pulso, fazendo sua pré-adesão, empresta força a esta minha interpretação. Não são as pessoas. São as contingências. 

Foi nessa (relativa) informalidade que nasceu a carta convite. Ao enviar as cartas-convite que eu mesmo enviei, eu o fiz em meu próprio nome. Não estava escondido nem me escondendo. Martha e Todorov também assim fizeram, para todos, tanto quanto sei. Penso que a carta-convite propriamente dita não foi assinada porque não havia mesmo um autor privilegiado para assiná-la. Falamos, topamos, fizemos. Não somente nós três. Nós três somente chamamos a nós a tarefa do convite inicial e ao fazê-lo, é claro, assumimos publicamente nosso propósito comum. Particularmente, nunca fiz segredo deste meu desiderato, como disse acima. 

2) Que contingências contribuíram para o surgimento da proposta de criar de uma nova associação?

Para mim, como disse o Todorov, penso que foram 52 anos de tentativas para nos apresentarmos publicamente com a nossa própria identidade e singularidade, com nosso próprio rosto e aceitar o ônus e o bônus dessa assunção aberta, clara, transparente. Sei muito bem, na própria pele, dos preconceitos, da propaganda negativa, da desinformação que assombram aqueles que se declaram analistas do comportamento. Os tempos agora são mais suaves, mas não eram, a 30, 40 anos atrás. A hora é boa. Bem, respondo pelo que posso perceber dos meus controles. Quantos aos dos demais, só perguntando para eles. Mesmo assim, nos diz nossa ciência que dificilmente cada um de nós os conhece a todos. Ou diz todos que conhece. 

3) Entre as motivações para criação da ACBr existe algum tipo de insatisfação com a atual diretoria da ABPMC? 

Talvez aqui, na resposta a esta pergunta, me sinta à vontade para incluir o Todorov na minha resposta, mesmo porque ele já se pronunciou claramente sobre o assunto, na leva “epistolar” que se seguiu à carta-convite, amplamente divulgada na internet.

O atual presidente da ABPMC é o João Ilo, de Fortaleza, Ceará. A trajetória profissional e acadêmica do João Ilo é claramente analítico-comportamental. Acompanho o João Ilo há anos. Para mim, é um profissional sério e competente. O núcleo analítico-comportamental de qualidade irretocável que vai se desenvolvendo no Ceará tem o dedo dele e eu mesmo tive a honra de testemunhar pessoalmente, lá, em Fortaleza, uma das fases desse trabalho. João Ilo é uma pessoa de primeira classe. Pessoas de primeira classe agregam junto a si colaboradores de primeira classe. Acho que isto responde à sua pergunta, num sentido estrito. 

Num sentido mais amplo e impessoal, quaisquer insatisfações que possam ser pensadas com relação à atual diretoria eu não tenho dúvida em classifica-las como absurdas e preconceituosas. Faz poucos meses que este grupo assumiu a ABPMC. Assumiram corajosamente uma trabalheira infernal para prestar um serviço à nossa comunidade (ABPMC). Não ganham nada com isso, exceto dor de cabeça, como bem sabem todos aqueles que já assumiram esta responsabilidade. Mão na consciência, não é?

Para que não haja qualquer dúvida: não. Nenhuma. 

Nem com relação à ABPMC como tal. Sou afiliado a ela desde o seu começo, nestes 22 anos deixei de ir a somente um Encontro e pretendo ir, no futuro, a todos que puder. Aliás, fico pensando de onde, com que base, com que propósito, se algum, teria surgido a ideia de uma oposição: ou a ABPMC ou a ACBr. Eu fico com as duas. 

4) A nova associação atenderia a quais objetivos ou necessidades que a ABPMC já não atende?

Na minha maneira de ver, todas aquelas que dizem respeito às contingências específicas e singulares quanto ao avanço, aos interesses profissionais específicos, às singularidades e à disseminação da Análise do Comportamento no Brasil. Temos a SBP como o grande espaço de convergência da psicologia no nosso país. Temos na ABPMC nosso local de encontro privilegiado. E teremos a ACBr para tratar, 365 dias por ano, das especificidades da nossa ciência.

5) Que modelo de gestão a nova associação deverá adotar? Será semelhante ao que modelo de gestão da ABPMC? 

Ao fim e ao cabo, não faço ideia, porque esta será uma decisão do corpo pleno da ACBr, uma vez constituído. O que sei é que a ideia do estatuto preliminar, necessário para viabilizar a formalização da associação, terá como referência o sistema de gestão da ABAI, bastante diferente daquele que vem sendo a norma na ABPMC. Aqui a ideia é institucionalizar e assegurar ao máximo o caráter impessoal do sistema de escolha dos gestores. É assegurar ao máximo e dar prioridade à preservação da cultura que é a Análise do Comportamento. Eu acredito que é uma concepção de gestão que, se conseguirmos fazê-la funcionar, atenderá bem a esses propósitos. Mas será um estatuto preliminar. Qual será o estatuto finalmente aprovado pelos associados é uma questão aberta. Está no futuro. 

6) Como você avalia algumas previsões de que, ao invés de fortalecer politicamente a abordagem, a criação de uma nova associação a enfraquecerá?

E do futuro não saberás! Evidentemente, nós que aderimos a esta proposição, acreditamos que fortalecerá, é claro. O contrário disso seria absurdo. Os que por diversos motivos são contra pensam, é claro, que enfraquecerá. Nem uns nem outros sabem com segurança o que o futuro mostrará, o que me parece ser mais claro ainda. E ainda mais claro é que, se não tentarmos, jamais saberemos. Na minha vida, luto para não sucumbir ao reforço negativo. Tento muito vencer os meus medos e lutar pelo bem que almejo, ao invés de lutar para evitar o mal que temo. Penso estar fazendo isso aqui, agora.

7) A nova associação pretende tomar frente na certificação do Analista do Comportamento individualmente ou, ainda, em conjunto com a ABPMC?

Mais uma vez, você me pergunta algo que só poderá ser respondido pelo corpo pleno da ACBr. Posso falar por mim. É público meu interesse nesta questão da certificação. Tenho estudado isto com grande interesse. Exatamente por isso, talvez esteja sensibilizado pelas tremendas dificuldades que este tema envolve. Mas meu posicionamento pessoal não é tão importante. Sou somente um membro das comunidades às quais me afiliei. Penso que aqueles que têm alguma posição bem delineada, algum convencimento sobre o tema, devem, como membros da associação, lutar pela prevalência das suas posições, contra ou a favor. Esse embate é legítimo e necessário. Eu lutarei pela minha. 

8) Já existem propostas sobre como a associação deverá lidar com problemáticas como a necessidade de melhoria na qualidade da formação em Análise do Comportamento em Cursos de Graduação, a criação de condições que favoreçam ao aplicador atuar conforme o rigor conceitual e tecnológico desejado ou, ainda, outras que possam surgir? Se sim, quais são? 

Novamente, uma questão para o corpo pleno da ACBr. Pessoalmente, reconheço as problemáticas que você levanta e tenho meus posicionamentos sobre elas. E um mundo de ideias a oferecer e discutir. Eu e, provavelmente, mais uns mil colegas, imagino. 

9) O que de fato já está definido sobre nova associação?

O que está claramente exposto na carta-convite. Será formada uma comissão provisória que terá a missão de viabilizar legalmente a constituição da associação, que consiste basicamente em elaborar um estatuto e fazer o seu registro legal. Essa comissão será automaticamente dissolvida ao término do seu trabalho. Feito isso, será enviada a todos aqueles que se manifestaram positivamente, registrando sua pré-adesão, uma correspondência convidando-os a tomar conhecimento do estatuto preliminar e condições iniciais e, se desejarem, fazer sua afiliação formal.

Relendo suas perguntas e as respostas que pude dar a elas, ocorre-me que as perguntas sugerem existir a ideia de que existiria um plano pronto para a ACBr. Singelamente, mas não há. Há um propósito e um desejo longamente acalentado por boa parte de nós que, pensamos, podemos agora tornar real. 

O que trará a ACBr somente o futuro poderá desvelar. Se aplicarmos a nós mesmos o que ensina a nossa ciência, se construirmos um ambiente produtivo e reforçador, se as contingências forem de fato favoráveis, como pensamos que são, se as discriminarmos e respondermos a elas adequadamente, provavelmente teremos sucesso. Se não, então não. 

10) Porque o endereço de e-mail que consta na consulta sobre o interesse na ACBr contem a sigla “aba” (acbr_aba)? Pretende-se algum tipo de afiliação da ACBr à ABAI?

Ah, isso! É que lá estava eu, tentando criar o grupo no Yahoo que pudesse recolher o interesse dos colegas. Quando o programa pediu que escolhesse o nome de usuário para o grupo, tentei ACBr. Já existia. Depois tentei uma sequência de variações. O programa não deixava prosseguir. Nome de usuário já ocupado. Pensei então na solução do underline. Escrevi acbr_ e imediatamente pensei em aba. Tem a ver, afinal. Aí o programa aceitou.

sábado, 3 de agosto de 2013

Mais um capítulo: Resposta de Roosevelt ao Hélio

Segue a resposta do prof. Roosevelt Starling ao prof. Hélio Guilhardi:

Meu caro Hélio,

Como este é o primeiro e-mail sobre a proposta da ACBr que recebo diretamente como destinatário e pela admiração, respeito e reconhecimento que tenho para com você, apresento algumas observações à sua comunicação.

Não sei se você sabe que estou dentre os proponentes iniciais desta ideia (e, por favor, observe, ao contrário do que você parece ter entendido, João Claudio Todorov tem dado um suporteinequívocamente favorável à fundação dessa associação).

Mas acredito que saiba que esta é uma proposição que defendo publicamente há décadas. Tenho este convencimento comigo, Hélio e, portanto, aceito muito bem o seu próprio convencimento, ainda que, neste caso (e momentaneamente, espero) numa direção oposta. É assim mesmo. É através desse tipo de situação que avançamos.

Agradeço, em primeiro lugar, sua atenção e sensibilidade ao observar que sim, tivemos cautela: fizemos uma consulta. Em primeiro lugar porque é uma comunidade à qual pertencemos há décadas e em segundo porque boa parte desta comunidade é composta de pessoas que se tornaram queridas e admiradas ao longo dos anos.

Não caberia discutir convencimentos. Convencimentos se aceitam, se respeitam. No entanto, existe na sua fala e na fala contra de alguns outros colegas alguns pontos que me parecem estar equivocados ou, eventualmente, mal informados (e aqui talvez a falha seja nossa, mas vamos corrigir isso).

Uma pequena observação antes de entrar nos pontos mais substantivos que desejo expor: subscrevo, linha por linha, sua posição quanto à desejabilidade da variabilidade comportamental e a inclusão de analistas do comportamento de todos os matizes no processo seletivo das nossas práticas verbais.

Hélio, não sei como isso parece ir se transformando em algo que nada tem a ver com a nossa ideia, pelo menos tal qual a concebemos. Parece que vai se transformando numa oposição entre a ABPMC e a proposta ACBr. Ser a favor de uma, parece, seria ser contra a outra. Vão se emaranhando aí a complexidade das histórias pessoais e das contingências particulares em ação neste momento. Este é o primeiro equívoco, Hélio. Afianço a você que a nossa organização numa associação analítico-comportamental, assim claramente definida, não enfraquece a ABPMC de forma alguma. Não é como se propusesse ou se convidasse os analistas do comportamento para migrar para a ACBr deixando a ABPMC. Nem se parece com isso. Nem, na ideia que cultivamos, a ACBr competiria com a ABPMC por qualquer forma concebível.

O que me leva a comentar o que me parece ser o segundo equívoco da sua comunicação. O equivoco seu que vejo, Hélio, é que a ABPMC não é uma associação de analistas de comportamento, tal como me pareceu estar implicado na sua fala. A ABPMC é uma associação mista, por concepção e organização estatutária, e nela convivemos – e muito bem, diga-se – com colegas cognitivistas, cognitivo-comportamentais e, mais recentemente, com colegas contextualistas e insisto em que não podemos passar por cima disso, tratando a ABPMC como se fosse uma exclusividade nossa, desconsiderando este caráter generalista que, desde o início, está claro e bem marcado nas nossas programações e publicações. Afinal, sim, a ABPMC tem uma história que todos nós construímos e, acredito, queremos manter. E esta é a história que tem: uma associação mista e aberta às diversas práticas verbais. 

Ocorre que, como você bem sabe, temos problemas e desideratos que são particulares da nossa ciência, dos nossos interesses e que não podemos esperar ou demandar sejam tratados e conduzidos no seio da ABPMC. E nem poderíamos – e nem seria nosso desejo, acredito, convidar os colegas que aderem a outros modelos, a outras práticas verbais, a abandonar a ABPMC. Isso sim, a enfraqueceria! E a negaria fundamentalmente, tal como foi constituída e como vem operando ao longo de todos estes anos (e este estado das coisas aparentemente nos agrada, pois nenhum de nós a abandonou e, a que eu saiba, nem pretende abandoná-la, não é mesmo?).

O que desejamos é então que tenhamos uma associação paralela analítico-comportamental – e na qual sim, é claro, desejamos variabilidade comportamental e damos boas vindas a todos os matizes calcados nas práticas verbais analítico-comportamentais – na qual possamos tratar e encaminhar os interesses exclusivos e particulares da nossa comunidade. Somente para citar alguns: a discussão e integração mais aprofundada de todos os interesses que compõem nossa matriz cultural – pesquisa básica, aplicada, clínica, behaviorismo radical – a problemática que se propõe com a seleção do coloquialmente chamado “tratamento ABA” do autismo e aquele que você mesmo cita, qual seja o cuidado com o ensino e formação de analistas do comportamento. A meu ver, essa problemática é nossa, Hélio, e os demais colegas de outras práticas verbais não estão interessados nela, como é justo que não estejam.

Praticamente todas as demais abordagens da psicologia brasileira tem a sua associação própria, Hélio, como também as tem até mesmo particularidades da prática psicológica, tais como a Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento, Associação Brasileira de Psicologia do Trânsito, Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, etc. Ninguém jamais perdeu com isso. Isso é vigor, é riqueza. Você mesmo reconhece isso implicitamente, ao montar com o seu grupo sua própria e bem-sucedida estrutura de formação particularizada e eventos maiores relacionados (E, no que me diz respeito, está muito bem e recebe meu aplauso e admiração). Francamente, não vejo como uma Associação Brasileira de Análise do Comportamento possa diminuir ou subtrair seja lá do que for. A meu ver, somente enriquece ainda mais a boa convivência da diversidade.

Como disse acima, convencimentos se aceitam, se respeitam. Exponho aqui o meu convencimento e enfaticamente convido você a reconsiderar e a se unir a nós nesta empreitada. Sinceramente, tal como eu vejo a sua história e de outros colegas, nesta proposição esperaria vocês como membros fundadores e entusiastas da associação. Mas, repito, convencimento é convencimento.

Mantenho-me a sua inteira disposição, e dos demais colegas, para conversar sobre este meu convencimento e, com transparência, prometo fazer o meu melhor para que você e os demais possam ver a ACBr com um novo olhar, fortalecendo todos nós e em nada subtraindo nem da ABPMC nem de qualquer outra associação da qual sejamos também afiliados.

Por outro lado, os diversos e ricos posicionamentos que estamos vendo sobre esta questão mostram que esta proposição nos incomodou, enquanto grupo. Como vejo, incomodou porque desacomodou o que estava acomodado. Nada mais saudável e tenho a certeza de que, seja lá qual for o fim disso, num ponto concordaremos: somente por este fato, já valeu.

Meu abraço. 

Roosevelt 
(Via Diogo Chagas)