domingo, 14 de abril de 2013

Apresentação de trabalho na JAC - UEL

Hoje teremos um post mais pessoal, sobre minha apresentação do trabalho "Comportamento Verbal: Uma introdução para estudantes de Psicologia e Behavioristas Iniciantes". 
Algumas pessoas pararam e leram o banner. Outras tiraram fotos. Outras simplesmente leram o título e se deslocaram, provavelmente não se interessaram. Eu pensei ter ouvido duas meninas "zoarem" o título. O que talvez tivesse me feito pensar por um momento que "behavioristas iniciantes" fosse um tanto prepotente. O que não me incomodou por muito tempo, uma vez que eu sou um behaviorista iniciante. 
O legal (ou talvez não!) é que dois alunos da UEL leram o meu banner e, de certa maneira, disseram que minha pesquisa foi um tanto quanto básica. Com referências básicas, porque é o que eles aprendem no segundo ano da graduação. Ok. Eu fiquei pensando sobre isso e até cheguei a ficar um pouco triste. Entretanto, eu fiz esse trabalho preocupado com a minha realidade... Em que não existe nenhuma disciplina que fale sobre o comportamento verbal skinneriano de maneira satisfatória (e essa não é uma reclamação só minha em relação à minha instituição).
Bom, acho que se o meu artigo for publicado (o que talvez não ocorra, por causa da "basicidade" dele) talvez ajude aqueles que, como eu, não tiveram oportunidade de conhecer o comportamento verbal de uma maneira mais aprofundada. Talvez tenha valido a pena. Espero que sim.
No mais, a JAC foi um sucesso e o Dr. Botomé é simplesmente incrível, como todos já devem saber.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

JAC - UEL: Amanhã!

E amanhã começa a Jornada de Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina. Estarei apresentando um trabalho na mostra de painéis com o título de "Comportamento Verbal: Uma introdução para estudantes de Psicologia e Behavioristas Iniciantes". Espero que quem for, goste!



www.jac-uel.blogspot.com

"Skinner, democracia e anarquismo": reflexões sobre Walden II e a visão skinneriana de governo

No último sábado (6), fui no I Seminário de Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que teve como coordenadora a Dra. Carolina Laurenti.
Entre as palestras que foram ministradas, gostaria de dar um resumo da apresentação do professor Dr. José A. D. Abib. Um ser humano incrível, diga-se de passagem. Sua palestra tinha o título: "Skinner, democracia e anarquia". Aqui serão feitas referências à palestra e também colocarei opiniões próprias.

O texto base, é obviamente o capítulo 1 do livro do Skinner "Reflections on Behaviorism and Society" e Abib também indica a leitura do livro "A Política" de Aristóteles.

O professor começa a palestra falando sobre os tipos de governo que existem e começa a fazer inferências sobre qual estilo governamental seria a utopia de Skinner, o Walden II, uma vez que lá, a priori, não possui um governo propriamente dito. Abib faz reflexões e chega à conclusão de que Walden II possa ser uma aristocracia. Entretanto, Skinner se define como uma anarquista benigno, logo, ele talvez possa se mostrar contra a democracia.
No entanto, o que Skinner entende por governo, se ele é contra o controle aversivo e também contra o contracontrole. Na verdade, Skinner é totalmente contra a violência.
Entretanto, Skinner reconhece um fator importante da democracia: ela tenta amenizar o controle aversivo através do uso da diplomacia, por exemplo. Afinal, muitas questões, se não fossem resolvidas diplomaticamente, já teríamos a 3ª Guerra Mundial ou talvez a 4ª e a 5ª. Ele reconhece o valor que a democracia tem para valorizar a vida dos seres e também e a busca pelo reforçamento positivo que isso causa.
Segundo Skinner, todo regime de governo deveria ter ao menos dois pontos principais: a liberdade e a felicidade. A principal crítica de Skinner, se dirige à democraria representativa, onde os representantes usam a ocupação do poder, ou seja, o controle se concentra naqueles que "foram escolhidos" pelo povo. E é aí que Skinner diz que jamais devemos delegar soberania aos outros. Podemos concluir, então, que Skinner é contra eleições e contra a concentração do poder.
Abib diz que a democracia representativa exisitria no bem-estar social. Além disso, esse bem-estar social libera consequências positivas que NÃO SÃO contingentes às situações. Essa democracia social (que não está livre da democracia representativa) apresenta consequências positivas para quem não precisa, por exemplo, ricos não pagam impostos altos, de modo que os bens são distribuídos a evitar o contracontrole e a tributação pesada cai justamente sobre aqueles que não têm condições.
No texto (o capítulo 1 do livro "Reflections on Behaviorism and Society"), Skinner trabalha com dois conceitos de cultura: o primeiro é a "cultura antiga", a segunda é a "cultura atual". Na primeira, o ambiente é dividido entre Estado (poderes legislativo, judiciário, etc.), Economia e Cultura (artes, religião, educação. Isso vem dos pensadores romanos, "cultivar" -que é cultura em sua origem taxonômica- como educação, sofisticação, etc.)
Já o sentido atual de cultura diz que tudo é cultura. Após essa distinção, Skinner diz que a democracia é cultura. Nos dois sentidos. Sendo que no antigo é num nível micro (exclui o Estado e a sociedade é restrita) e a atual é num nível macro (envolveria o Estado, a sociedade, a Cultura no sentido antigo).
Skinner prefere a democracia antiga simplesmente pelas contingências serem menos instituicionalizadas, ou seja, são menos arbitrárias e, por conseguinte, mais naturais. Entretanto, ele aceita e reconhece a importância das indústrias e do Estado numa socieade. Desse modo, ele critica o Estado, as instituições, as regrças e o reforçamento planejado... defende o reforçamento natural.
Então, o que Skinner quer? Controle face a face. Controle NÃO é governo. Governo exerce o poder em favor da oligarquia. O controle defende o POVO. A palavra controle demanda elite, mas não exploradora, e sim, em favor das pessoas. O controle é feito POR pessoas PARA pessoas.
Skinner não é inimigo da liberdade nem da democracia. O que ele prefere é uma democracia anarquista. Nas palavras de Abib: "O anarquismo é o ódio ao poder à humanidade".

Sendo assim, Walden II é anarquista? Se o anarquismo é uma democracia, então sim. Mas parece que há uma aristocracia. Frasier (um dos personagens principais da novela utópica) é tecnólogo do comportamento, cientista. E é um dos líderes de Walden II (aristocracia demanda líderes que são capacitados para exercer tal cargo). Walden II é um autoritarismo? Há um aspecto autoritário, onde as pessoas não podem discutir problemas relacionados a Walden entre si. Que é o que faria Abib não morar em Walden, segundo ele.

Por fim, Abib conclui: Walden II é misto. É anarquia, é democracia e uma aristocracia técno-científica e a população não pode discutir o código de conduta de Walden entre si, o que é o aspecto autoritário.

Quando eu terminei de ler o livro Walden II eu disse: não conseguiria morar lá, mas não consegui discriminar muito bem o motivo. Creio que Abib tenha me ajudado um pouco.

O livro que contém o texto base é esse:


(Foto: Meu livro. Importado de uma biblioteca de Ohio)

domingo, 10 de março de 2013

A morte por overdose: Suicídio?

Hoje me deparei com uma imagem no Facebook com várias fotos de artistas, como Cássia Eller, Cazuza, Renato Russo, Kurt Cobain, Amy Winehouse, Michael Jackson, Chorão, entre outros, dizendo que não importava o quanto a pessoa era legal ou talentosa, porque morrer por overdose é suicídio e ainda alertava a "juventude" de que as drogas matam. 
E podem matar mesmo, mas quem somos nós para rotularmos aqueles que supostamente morreram por overdose? Cássia Eller, Cazuza e Kurt Cobain são exemplos de artistas que com certeza não morreram de overdose, embora usassem drogas de abuso. Creio que um comportamento como esse de pré-julgar e "apontar o dedo" para essas pessoas é um tanto quanto ignorante.
Como bons behavioristas que devemos ser, primeiramente deveríamos analisar as contingências das quais o comportamento de usar droga pela primeira vez foi função. Como esse comportamento foi instalado e como as contingências mantém esse comportamento no repertório do sujeito.
Outro ponto importante é entendermos como essas contingências que mantém esse comportamento podem influenciar no aumento da taxa de frequência do uso da droga, e também como outras contingências atuam na mudança gradual do uso de uma droga mais leve (por exemplo, a maconha) para o uso de uma droga mais pesada (por exemplo, a cocaína). 
É óbvio que todas as drogas de abuso, medicamentos, bebidas, cigarro etc, têm efeitos reforçadores. É como diz o senso comum "se não fosse bom, ninguém usava". Não mesmo. Mas deve se pensar nas consequências a longo prazo. Entre essas consequências, pode estar a morte. No entanto, seria a morte de um usuário de drogas um suicídio realmente?
Talvez não. Eu creio que só se pode considerar um comportamento assim como suicídio se o sujeito que se mata tem consciência das variáveis das quais seu comportamento é função. Em outras palavras, se o sujeito souber a situação psicológica que ele se encontrava quando usou tanta droga a ponto de morrer. E o mais importante, repetirei: deveríamos pré-julgar e apontar o dedo para quem SUPOSTAMENTE morreu de overdose ou deveríamos analisar as contingências das quais o comportamento de usar drogas era função desde sua instalação até a crescente frequência do uso no repertório do sujeito (o que muitas vezes pode auxiliá-lo a não chegar no ponto extremo da morte por overdose)?

Esse texto expressa mais uma indignação, digamos assim. Como vocês podem perceber, caros leitores, foi um texto muito mais informal e menos teórico que os outros. Outra coisa que quero salientar: eu não estou defendendo nem acusando ninguém. Eu sou contra o uso de drogas (por motivos pessoais que não serão expostos aqui). Mas por outro lado, respeito quem tem uma opinião contrária à minha. Peço-lhes desculpas se esse texto, de alguma forma, lhes incomodou.

quarta-feira, 6 de março de 2013

I Jornada de Análise do Comportamento - Universidade Estadual de Londrina (UEL)


Dias 12 e 13 de abril ocorrerá, em Londrina (PR), a primeira Jornada de Análise do Comportamento (JAC) da UEL em parceria com o Instituto de Análise do Comportamento de Curitiba (IACC), com o Instituto Innove, com o Comporte-se e também com o Boteco Behaviorista.
Você pode se inscrever, submeter trabalhos à aprovação e apresentá-los em forma de painel, além de adquirir muito conhecimento e umas horinhas extra-curriculares numa das maiores potências, a nível de instituição, do Paraná e do Brasil em Análise do Comportamento.

Para se inscrever e saber mais informações acessem o site da JAC-UEL.


domingo, 3 de março de 2013

Psicoterapia Comportamental: As 3 Ondas

Neste último sábado (02/03) fiz um curso onde se falou principalmente das 3 ondas da psicoterapia comportamental. Foi muito interessante e passarei aqui um pouco do que me foi passado lá. Primeiro, são chamadas de Ondas por serem praticamente revoluções dentro da área da psicoterapia em geral e sobretudo da psicoterapia comportamental. Aqui, como no curso, falarei mais sobre a 3ª Onda, porém, de uma maneira mais breve.

1ª Onda:
A primeira onda, ocorrida nos anos 50, caracteriza-se como a terapia comportamental clássica e a modificação do comportamento. A psicoterapia comportamental nessa época, seguia as bases do modelo pavloviano, com técnicas de exposição à estímulos e dessensibilização sistemática (controle respondente, basicamente), por exemplo.
A modificação do comportamento já era feita com base em uma análise de contingências nas quais o sujeito estava envolvido e das quais seus comportamentos eram função, ou seja, já era operada por um sistema de "recompensas" (controle operante, basicamente).
A primeira onda recebeu críticas. As principais são as de que a terapia comportamental era ofensiva à liberdade pessoal do homem, que era uma psicoterapia superficial e que só atenderia problemas simples, ou seja, desqualificava o ser humano e a problemática que ele apresentava, além de não contemplar a complexidade das ditas "funções mentais" superiores e da linguagem.

2ª Onda
A segunda onda se caracteriza pela revolução cognitivista que marcou os anos 60. Há uma abordagem mais racionalista, onde se elucida a reestruturação cognitiva (crenças) e a terapia cognitivo-comportamental se torna forte, sobre um paradigma mediacional. A terapia racionalista foi proposta por Beck e Ellis. O paradigma dessa terapia é o seguinte:
A -> B -> C, sendo
A = Ambiente
B = Crenças
C = Comportamentos, sentimentos, etc.
Segundo eles, o modo como o ser humano pensa é que determina como ele se comporta. E, entretanto, a terapia cognitivo-comportamental, assim como a terapia comportamental pura, procura ser uma teoria científica.
A segunda onda, no Brasil, não teve a mesma repercussão vista em outros lugares do mundo. A terapia cognitiva-comportamental teve vários motivos para se instalar com tanta força e uma delas é a crítica à análise do comportamento verbal proposta por Skinner. Devido a essa falta de força dela aqui no Brasil, comparado ao resto do mundo, os analistas do comportamento avançaram em relação aos estudos na área do Comportamento Verbal (que ainda é uma área negligenciada, se me permitem a opinião pessoal) e também da equivalência de estímulos. Esta última, implica uma capacidade do homem de conseguir associar "qualquer coisa a qualquer coisa", ou em um exemplo simples, conseguir ler ouvir/falar "cachorro", ler CACHORRO e ver o animal em si e responder da mesma maneira frente aos três estímulos, diferentes em propriedade.

3ª Onda
A terceira onda são as chamadas terapias contextualistas. Isso implica que a terapia depende de contextos. Entre elas destacam-se a ACT, a FAP e a DBT:

1) ACT: Terapia de Aceitação e Compromisso (proposta por Hayes - Teoria dos Quadros Relacionais). Ela tem como objetivo criar flexibilidade psicológica, ou seja, aceitar eventos privados que são desagradáveis para manter ações que são importantes e valorizadas pelo indivíduo para que ele tenha uma vida mais significativa. Por outro lado, é a comunidade verbal em que esse indivíduo está inserido que ensina que o certo é estar bem e que a tristeza é um problema que deve ser resolvido a qualquer custo. O foco de intervenção da ACT é a Aceitação desses eventos que são ruins para o sujeito de modo que ele não resista a eles e os sinta, para evitar um futuro sofrimento adicional. Também se foca na Escolha, que deve ser baseada na experiência/história do indivíduo sem repetir erros. E também se foca na Ação, que deve ser direcionada para o futuro e comportamentos abertos, que podem ser mudados. Para intervenção, é corriqueiro que o terapeuta use metáforas e técnicas (que não serão explanadas nessa postagem).

2) FAP: Psicoterapia Analítica Funcional (proposta por Kohlenberg e Tsai) que tem como "base" consciência, coragem, amor e Behaviorismo.
O foco principal da FAP é a relação terapêutica, onde são valorizadas as contingências da sessão, onde ocorre a modelagem de comportamentos em sessão e o reforçamento natural de comportamentos assertivos apresentados pelo cliente. É muito importante dizer que, os comportamentos que podem ser apresentados pelo cliente são "divididos" em 3 categorias, digamos assim. São os CRBs/CCRs (comportamentos clinicamente relevantes) 1, 2 e 3, onde
CRBs1: é geralmente a queixa apresentada pelo cliente, os comportamentos desadaptativos e disfuncionais que ele apresenta;
CRBs2: é basicamente a melhora dos CRBs1. Comportamentos que se tornam mais assertivos e produtivos comparados aos comportamentos descritos na queixa; e os
CRBs3: aqui é o comportamento de auto-análise feito pelo cliente. Onde ele aprende a discriminar as variáveis das quais seus comportamentos são função, podendo assim, agir mais assertivamente no ambiente em que está inserido.
 O processo terapêutico técnico da FAP é permeado por 5 regras: 1) prestar atenção nos CRBs do cliente; 2) Evocar CRBs do cliente; 3) Reforçar CRBs2; 4) Observar os efeitos da intervenção; 5) modelar CRBs3 no cliente.

3) DBT (Terapia Comportamental Dialética, proposta por Marsha Linehan). Essa é uma terapia desenvolvida para o tratamento do transtorno Borderline, que é considerado como uma vulnerabilidade em relação ao ambiente invalidante (punitivo/estressor) que o sujeito está inserido. O tratamento se dá através da orientação e compromisso por parte dos envolvidos e muitas estratégias de tratamento podem ser paradoxos, metáforas, a confrontação para conseguir a extinção de padrões rígidos de comportamento, buscando a validação, a análise comportamental, a solução de problemas. Há também a comunicação recíproca e irreverente entre psicoterapeuta e cliente, obviamente que em "doses ideais", afinal, a terapia não pode se tornar um palco de stand-up comedy.

Bom, espero que eu tenha conseguido passar um pouco do que aprendi no curso. Eu não sabia muito sobre a ACT e a DBT. Das três, a FAP é minha preferida. Sou apaixonado pela Psicoterapia Analítica Funcional. E vocês, qual vocês preferem?